O Symbian, maior sistema operacional de smartphones do mundo, já tem mais de 10 anos de idade. Apesar das poucas rugas, ele é obrigado a ver jovens descolados de calça jeans, camiseta preta e ares de designer, também conhecidos como iOS e Android, aumentarem sua participação do mercado. Alguns acham que o caminho é pendurar as chuteiras antes que os últimos anos de carreira sejam em clubes de menor expressão. Mas, dado seu tamanho e sua importância, muita gente acredita que ainda há solução para o sistema. Eis algumas saídas para salvar o Symbian, listadas pela Wired.

Antes de mais nada, é bom frisar que a própria Nokia parece ter gostado das dicas: a matéria foi replicada pela conta de Twitter oficial da empresa, que considerou as ideias de bom grado. As soluções sugeridas por Priya Ganapati, da Wired, são questões básicas, mas que precisam ser repensadas com muita calma pela Symbian Foundation. A primeira é o redesenho da interface, que há anos continua igual, sofreu poucas mudanças com o Symbian^3 e não acompanhou as evoluções de interface do usuário do iOS e do Android, pensados especificamente para tela sensíveis ao toque. Pesa a favor do Symbian seu histórico de estabilidade e robustez, que agrada os desenvolvedores, mas é difícil entender por que a Symbian não modificou a parte prática e visual do sistema até então. O argumento é que os anos de vida atrapalham um pouco: é preciso adaptar todos os sistemas e aplicativos ao redesenho, o que leva tempo para ser feito. Mas a promessa é que o Symbian receba atualizações incrementais com maior frequência – o padrão atual do sistema é atualizações de 18 em 18 meses, uma eternidade no mundo acelerado dos smartphones.

Aplicativos, a base de um smartphone atual

Na parte do desenvolvimento de aplicativos, a reclamação mais constante dos desenvolvedores é o excesso de plataformas para desenvolvimento. Enquanto para Android e iPhone o desenvolvimento é feito por um SDK único, as opções de Symbian vão de C++ a Java. E essa gama não é mais vista com bons olhos, como antigamente. A solução já foi escolhida: trata-se da plataforma Qt, que promete ser mais prática de desenvolver, além de ser capaz de criar apps para Symbian e MeeGo, o futuro SO dos smartphones da Nokia. Segundo os desenvolvedores, o processo para criar apps mais bonitos e bem feitos será mais rápido, necessidade básica para a manutenção de uma boa loja de aplicativos.

Ainda na parte de desenvolvimento, a Nokia e o Symbian precisam apostar mais no mercado americano, que há tempos olha com muita desconfiança para ambas as empresas. As duas se gabam de terem desenvolvedores espalhados por todo o mundo, mas é preciso criar um nicho dentro dos EUA, o maior mercado consumidor de smartphones. Como diz a Wired, se você caminhar pelo Vale do Silício, não encontrará um desenvolvedor de Symbian. É preciso fazer as pessoas gostarem de desenvolver para a plataforma. E, com a confirmação do uso exclusivo do Qt, basta mostrar em eventos e palestras do que ele é capaz e como pode valer a pena desenhar aplicativos com ele também.

Basicamente, a Nokia continua com um maciço império no mundo dos smartphones – apesar da ausência nos EUA, o Symbian corresponde a 41% do mercado mundial. E, para os finlandeses, o sistema é o melhor caminho para transformar celulares comuns em smartphones sem a necessidade de preços altíssimos. Mas a fabricante de hardware, apesar de continuar apostando muito na plataforma, pode virar a casaca em breve com o MeeGo. Já a Symbian Foundation precisa se reinventar para não virar artigo de museu. E há como fazer isso. Para a sorte de muitos usuários, ambas parecem ter aberto os olhos e entendido que é hora de uma mudança drástica, e que não basta ser o número um, é preciso aprender a lidar com o trono. Confira todas as propostas para revolucionar o Symbian clicando no link ao lado. [Wired]