Um documento informativo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), analisado pela ABC News, estima que pelo menos um milhão de pessoas receberam vacinas de reforço Covid-19, ou seja, terceira dose.

O número pode ser maior, já que o documento supostamente não contabiliza as pessoas que receberam a vacina Johnson & Johnson. O documento não está disponível publicamente e, em um e-mail para o Gizmodo, um porta-voz do CDC disse que a agência “não comenta informações que vazam”.

Atualmente, uma pessoa nos Estados Unidos é considerada totalmente vacinada após uma dose da vacina Johnson & Johnson ou duas doses da vacina Pfizer ou Moderna. Mas algumas pessoas têm recebido doses adicionais, seja por conselho médico ou simplesmente por decidirem por conta própria.

No mês passado, Camille Kotton, membro do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC, disse ao Washington Post que muitas “tornaram o assunto algo pessoal e estão procedendo com doses adicionais de vacina porque melhor lhes convém”.

Conforme relatou o veículo de política de saúde STAT, os locais de vacinação teriam que decidir verificar as carteiras de vacinação para descobrir se alguém está recebendo uma dose extra, e os hospitais teriam que definir suas próprias políticas para determinar a quais pacientes poderiam ser prescritas doses adicionais. Os planos de saúde precisarão decidir se irão cobrir os gastos.

Cientistas disseram que até agora não temos dados adequados para mostrar que os reforços são necessários, inclusive para pessoas com comorbidades, que enfrentam os maiores riscos à saúde de infecções causadas pelo coronavírus. Embora a variante Delta pareça mais capaz do que as cepas anteriores de infectar uma pessoa vacinada, o esquema de dosagem da vacina atual parece oferecer forte proteção contra doenças graves e morte.

A Pfizer e a Moderna sugeriram que doses adicionais podem ser necessárias para aumentar a imunidade em algumas pessoas ainda este ano, mas a Organização Mundial da Saúde orientou que o assunto fosse suspenso até setembro, apontando que a ação incentiva os países ricos a acumularem vacinas, enquanto alguns países nem mesmo distribuíram as primeiras doses.

Menos de 1% das pessoas em 23 países, principalmente no Oriente Médio e na África, foram totalmente vacinados. Na República Democrática do Congo e no Haiti, esse número é zero.

Enquanto isso, a Grã-Bretanha , Israel e a Alemanha já deram sinal verde para vacinas extras em populações em risco, e o Departamento de Saúde Pública de São Francisco aprovou o que eles chamam de “doses suplementares” de vacina de mRNA para pessoas que receberam dose única Johnson & de Johnson.

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Em uma reunião na Casa Branca na semana passada, a diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse que a agência estava “apenas começando a reunir dados” sobre as vacinas de reforço aprovadas por médicos. Em um e-mail para o Gizmodo, um porta-voz da agência reguladora americana disse que o FDA está “monitorando de perto os dados à medida que se tornam disponíveis a partir de estudos que analisam uma dose adicional das vacinas autorizadas para indivíduos imunocomprometidos”. Eles acrescentaram que a agência, junto ao CDC, está “avaliando opções em potencial sobre esta questão e compartilhará informações em um futuro próximo”.