Aqui está um sinal dos tempos sombrios em que vivemos: junto com outros dados mais mundanos, como tráfego, satélite, mapas de trânsito e cobertura vegetal, os focos de incêndio vão aparecer no menu do Google Maps. Como assim?

Bom, grandes incêndios florestais — que devastam áreas extensas de países como os Estados Unidos –– se tornaram tão comuns que o termo “sem precedentes” já não se aplica mais. Isso também acontece em muitas outras regiões afetadas pelas mudanças climáticas, como a Austrália, onde a temporada de incêndios de 2019-2020 matou dezenas e emitiu tanta fumaça quanto uma grande erupção vulcânica.

Os incêndios florestais podem se espalhar rapidamente, consumindo novos territórios a taxas de até 24.1 quilômetros por hora (km/h). Ao mesmo tempo, mais pessoas mudaram para regiões conhecidas como áreas urbano-selvagens, o que coloca milhões de cidadãos em perigo. As combinações desses fatores podem ser fatais.

A falta de informações é o principal fator por trás das vítimas. No incêndio florestal que aconteceu em 2018 e destruiu a cidade de Paradise, na Califórnia, autoridades demoraram mais tempo para notificar os residentes do que o incêndio levou para alcançá-los. O resultado? 86 mortos. Muitos dos que estavam na área receberam poucos alertas de que o fogo estava prestes a atingir a cidade. Mapas de incêndio acessíveis podem ser a diferença entre escapar de um incêndio florestal ou tentar sair tarde demais.

Em uma postagem no blog do Google, a diretora do Google Earth e Imagens, Rebecca Moore, escreveu que o sistema usará dados de satélite para “ajudar as pessoas a entender facilmente o tamanho aproximado e a localização de um incêndio”. A nova camada, que se expande em iniciativas anteriores do Google, como um site de “resposta a crises” , também conectará os usuários a informações sobre serviços de emergência e rotas de evacuação.

“Com a ferramenta de incêndio florestal, você pode obter detalhes atualizados sobre vários focos de fogo de uma só vez, permitindo que você tome decisões rápidas e informadas em momentos de emergência”, escreveu Moore. “Basta tocar no ícone de chama para ver os links disponibilizados por governos locais, como sites de emergência, números de telefone para obter ajuda, informações e detalhes de evacuação. Você também poderá ver detalhes importantes sobre o incêndio, como sua contenção, quantos hectares foram queimados e em qual o momento essas informações foram atualizadas pela última vez.”

De acordo com o site Ars Technica, o Google afirma que os dados serão atualizados de hora em hora. A nova ferramenta de fogo será lançada para Android ainda esta semana, e em outubro para iOS e usuários de desktop.

O Google está expandindo simultaneamente a camada Tree Canopy, lançada no ano passado, que, segundo Moore, “imagens aéreas e recursos avançados de Inteligência Artificial para identificar lugares em uma cidade que correm o maior risco de experimentar um aumento rápido das temperaturas”. Isso ajuda os planejadores urbanos e as autoridades municipais a identificar as ilhas de calor, áreas que são significativamente mais quentes do que as vizinhas graças à grande presença de concreto e asfalto e pouca vegetação.

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A ferramenta agora cobrirá 100 cidades em todo o mundo — hoje, funciona em apenas 15. Moore também escreveu que o Google está lançando um aplicativo Address Maker, que ajuda governos e ONGs a atribuir endereços funcionais a e identificar estradas por nome em algumas áreas carentes.