Em mais uma escalada do conflito entre EUA e China em relação à gigante chinesa de tecnologia Huawei, o governo Donald Trump tomou medidas para expandir as sanções comerciais punitivas contra a empresa nesta sexta-feira (15), segundo a agência de notícias Reuters.

A Huawei é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, e as agências de inteligência dos EUA apresentaram alegações de que poderia ser uma fachada para os serviços de inteligência e segurança chineses. A empresa também está enfrentando acusações de roubo corporativo, fazer negócios com o Irã por meio de uma complicada rede de empresas de fachada e direcionar sua equipe para roubar projetos de parceiros dos EUA. Um exemplo disso é o “Tappy”, um robô da operadora T-Mobile do qual um engenheiro supostamente retirou componentes.

A Casa Branca emitiu uma ordem executiva proibindo essencialmente a Huawei de comprar componentes fabricados por empresas americanas em maio de 2019; o pedido desta sexta-feira vai um passo além.

Quando empresas estrangeiras que fabricam semicondutores utilizam a tecnologia dos EUA durante o processo de produção agora precisam obter licenças de exportação antes de poderem vender para a Huawei. Isso expande drasticamente as sanções à capacidade da Huawei de continuar fabricando hardware em todo o mundo, pois seria extremamente difícil montar uma cadeia de produção de semicondutores que não envolvesse nenhuma tecnologia dos EUA.

De acordo com o Wall Street Journal, as novas restrições terão um impacto imediato na capacidade da Huawei de fazer negócios com a fabricante de semicondutores Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC). A TSMC, que também é uma importante fornecedora da Apple, anunciou na sexta-feira que abriria uma grande fábrica no Arizona, mas negou que estivesse de alguma forma ligada à confusão da Huawei.

Além de interferir na capacidade da Huawei de construir equipamentos de telecomunicações, as regras mais severas provavelmente causarão atrasos significativos na capacidade de desenvolver eletrônicos de consumo, como smartphones e laptops.

O WSJ relatou que as fabricantes de semicondutores dos EUA se tornaram mais cautelosas em fazer negócios com outras empresas chinesas, imaginando se as restrições poderiam ser impostas a seus negócios posteriormente. Segundo a Reuters, o ex-funcionário e advogado do Departamento de Comércio dos EUA Ken Wolf descreveu as restrições como uma “expansão nova e complexa dos controles de exportação dos EUA”, mas observou que as empresas estrangeiras ainda podem vender semicondutores que não tenham o design da Huawei para a empresa sem a exigência de licença.

Há um período de cortesia de 120 dias antes que as novas regras entrem em vigor; as empresas terão que enviar equipamentos comprados pela Huawei que estejam sujeitos às regras antes que esse tempo acabe. O Departamento de Comércio de Trump também aprovou algumas empresas dos EUA para continuar vendendo para a Huawei sob as regras já em vigor e provavelmente fará o mesmo no futuro.

A medida também pode sair pela culatra, já que algumas empresas podem decidir que a tecnologia de fabricação de semicondutores dos EUA conta com muitas restrições.

Atualmente, os EUA detêm uma participação de 45% nesse mercado, segundo dados do grupo SEMI citado pelo Wall Street Journal, e podem cair se a Casa Branca pressionar demais.

O governo chinês também não está empolgado com o assunto, de acordo com a Reuters. Eles inclusive sinalizaram por meio da mídia estatal que podem retaliar colocando empresas americanas como Apple, Cisco e Qualcomm em suas listas de proibição ou interrompendo as compras chinesas de jatos Boeing.