O encontro da história e astronomia é fascinante: desde pelo menos 185 d.C., a humanidade vem registrando supernovas – explosões de estrelas massivas – vistas da China, Egito, Iraque e outros países. Isso inclui a SN 1006 (supernova do ano 1006), que foi o evento estelar mais brilhante já registrado.

Três astrônomos alemães descobriram recentemente uma nova observação, documentada só agora, do estudioso árabe Ibn-Sīnā, que viveu entre os anos 980 e 1037. Ele relatou que a supernova SN 1006 ficou mais brilhante que Vênus ao longo de três meses, tanto que podia ser vista durante o dia.

Os pesquisadores R. Neuhauser, C. Ehrig-Eggert e P. Kunitzsch traduziram parte do Kitab al-Shifa (O Livro da Cura) de Ibn-Sīnā, uma grande obra de filosofia escrita por volta de 1013 e 1023. Eles encontraram descrições do evento no ano 1006:

Acontece que a queima e as chamas permanecem por um (longo) tempo, seja na forma de uma mecha de cabelo ou com uma cauda [ou seja, na forma de um cometa], principalmente no norte, mas às vezes também no sul, ou na forma de uma estrela entre as estrelas – como aquela que apareceu no ano 397 [1006-1007 no calendário gregoriano]. Ela permaneceu por cerca de três meses, ficando cada vez mais fraca até que desapareceu; no início ela era preta e verde, e depois começou a emitir faíscas o tempo todo, e então se tornou mais e mais esbranquiçada e, por fim, tornou-se mais fraca e desapareceu.

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Imagem: arxiv.org

A supernova SN 1006 é amplamente documentada, com observações do Egito, Suíça, Iêmen, China e EUA (por nativos norte-americanos). Sīnā, que viveu no atual Irã, fornece outro ponto de observação.

Os pesquisadores notam que a descoberta é útil para os estudiosos de Ibn-Sīnā, para entender seu paradeiro na época; e as observações dele são úteis porque fornecem um ponto adicional de dados para outras descrições antigas.

Astrônomos antigos vêm fornecendo observações de supernovas há tempos: os chineses viram a SN 185 em 185 d.C.; e também a SN 1054, que produziu a Nebulosa do Caranguejo.

[arxiv.org, About Islam, Sputnik News]

Imagem: Observatório de raios-X Chandra