Um novo estudo feito por pesquisadores da University of British Columbia (UBC) e da University of Wisconsin-Madison, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), descobriu que o caule e as flores da planta de Triantha occidentalis são capazes de prender os pelos de insetos e sugar todos os nutrientes dos bichinhos.

Essa foi a primeira planta carnívora identificada por botânicos em 20 anos. O vegetal cresce em regiões com poucos nutrientes, normalmente em pântanos. Os cientistas a encontraram na costa oeste da América do Norte, da Califórnia ao Alasca, em uma tundra. Para o estudo, os pesquisadores investigaram espécimes crescendo na montanha Cypress, em Vancouver do Norte, na Columbia Britânica.

Sean Graham, professor do departamento de botânica da UBC, falou que a equipe está entusiasmada por ter identificado uma planta crescendo no “quintal de casa”.

Para que o estudo fosse possível, Qianshi Lin, estudante de doutorado em botânica da UBC e principal pesquisador do estudo, colocou moscas-das-frutas (aquelas que ficam perturbando nossa sobremesa) marcadas com isótopos de nitrogênio-15 (biomarcador) em seu caule de floração — o nitrogênio é essencial para atividades celulares.

O rótulo funcionou como um dispositivo de rastreamento, permitindo que a equipe de Lin observasse as mudanças na absorção de nitrogênio pela planta.

Lin falou que esse experimento é particularmente único já que elas conseguiram capturar insetos perto das flores, que são polinizadas pelos pequenos bichinhos. Como resultado do experimento, os pesquisadores encontraram uma absorção alta de nitrogênio pela Triantha, que conseguiu mais da metade de seu nitrogênio de dos insetos.

Vale destacar que para parâmetro de comparação, a equipe utilizou dados de outras espécies que crescem na mesma área, incluindo a sundew (uma planta carnívora da região) e várias outras plantas não carnívoras como controle.

Imagem: Qianshi Lin

Tom Givnish, professor do departamento de botânica da Universidade de Wisconsin-Madison, disse que esse processo de carnivoria com polinização é muito bem equilibrado porque os pelos glandulares das plantas não são tão pegajosos e só podem prender mosquitos e outros pequenos insetos, de modo que as abelhas e borboletas, maiores e mais fortes, não sejam presas tão fáceis.

A pesquisa também mostrou que esses pelos do caule produzem fosfatase, uma enzima digestiva usada por muitas plantas carnívoras para obter fósforo das presas.

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Isso é importante, visto que o fósforo desempenha papel fundamental na formação trifosfato de adenosina nas plantas, ou seja, a principal fonte de energia para a realização de processos como a fotossíntese, divisão celular e carga genética.

Se você é amante de plantas e está pensando em alimentar uma com carne ou inseto morto, não faça. Os pesquisadores alertam que as plantas carnívoras precisam de ‘carne fresca’ e não se dão bem fora de seu ambiente natural.

[SciTechDaily]