Herpes definitivamente não é algo incrível. Mas uma nova maneira de visualizar a estrutura molecular do vírus pode te surpreender.

Duas equipes de cientistas, uma na China e outra nos EUA, divulgaram novas imagem da capsula de proteína que envolve o DNA do herpesvirus, chamado de cápside. Eles revelaram algumas das melhores imagens já feitas do vírus (ou de qualquer vírus grande).

“Um claro entendimento da estrutura e as funções das várias proteínas do herpesvirus podem ajudar a desenvolver agentes antivirais, além de aumentar a utilidade e eficiência como um agente terapêutico para tratar tumores”, escreve Xiangxi Wang, autor da Academia Chinesa de Ciências, ao Gizmodo.

A imagem abaixo mostra a estrutura do vírus do herpes simples 2, além de uma única unidade de todo a cápside.

Vírus são muito incríveis. De alguma maneira, diversas peças individuais de proteínas se combinam para formam uma cápsula, como os hexágonos e pentágonos de uma bola de futebol ou os triângulos de um dado de vinte lados. Exceto que neste caso, são cerca de 3.000 unidades de uma mesma proteína organizadas em uma bola de 200 nanômetros – um dos maiores vírus existentes, mas ainda incrivelmente pequeno.

Estas cápsides providenciam o contêiner no qual o material genético do vírus é armazenado, que eles soltam para causar uma infecção. No caso do herpes, estes incluem as aftas e infecções de herpes genital. Mas outros vírus da família Herpesvirus podem causar encefalite e até câncer.

As duas equipes de pesquisadores utilizaram cryo-EM, ou microscopia crioeletrônica, para fazer a imagem, de acordo com um par de novos estudos publicados no periódico Science. O método ganhador do Prêmio Nobel envolve congelar a molécula de uma maneira que ela não cristalize, e então vigorosamente retirar elétrons do objeto para determinar sua estrutura física.

Outras pesquisas já produziram imagens do herpesvirus anteriormente, mas pesquisadores poderiam criar imagem de apenas 3,5 angstrom (ou 0,35 nanômetros) com uma resolução de 3,1 angstrom – a melhor medida até então para um vírus pequeno. Esta nova imagem revelou a identidade individual dos blocos que compõem as proteínas, os amino ácidos. Os pesquisadores também descobriram que estas proteínas não são todas as mesmas – pequenas diferenças que potencialmente poderiam fornecer alguma flexibilidade à cápsula.

Conforme Katerina E. Heldwein da Universidade Tufts, que não estava envolvida no estudo, explicou em m comentário na mesma edição da Science., nenhum grupo pode determinar o portal por qual o DNA entra na cápsula. Ainda assim, ela afirma que estes estudos serão importantes para futuras investigações da estrutura dos vírus.

[ScienceScience]

Imagens: Xiagxi Wang