Fãs da série Silicon Valley apreciarão a grande importância dos algoritmos de compressão. Mas para o restante das pessoas, essas são questões matemáticas que não interessam muito. Mas quando o Google promete um algoritmo que pode cortar pela metade a banda necessária para transmitir um vídeo, tudo fica mais interessante.

Em um entrevista ao CNET, James Bankoski, gerente de engenharia de produto, explicou os detalhes do codec VP10, sucessor do codec VP9, que já faz as suas sessões no YouTube melhores. Além de uma série de melhorias — de performance, cores e brilho — existe a função que protagoniza a manchete: uma compressão mais eficiente, que pode cortar o tamanho de um vídeo em 4K pela metade, quando comparado à compressão do VP9.



Para se ter ideia, o VP9 apresentava vídeos com qualidade superior e metade do tamanho do principal codec do mercado, o H.264:

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Um codec ideal entrega imagens ricas, com detalhes, sem perder muita qualidade do material original, além de consumir pouca bateria dos computadores e smartphones e também de gastar pouca banda: um vídeo de menor tamanho e boa qualidade é ideal para se ver em conexões móveis, por exemplo.

Porém, a transição para um novo codec aumenta o uso de processamento. O Google acredita que o VP10 consumirá cerca de 40% a mais que o VP9. PCs são capazes de rodar a nova compressão sem problemas, mas para celulares é preciso ter a tecnologia inserida diretamente no processador. O YouTube transmite vídeo em VP9 desde o final de 2013, mas a Microsoft e Apple ainda não inseriram a tecnologia em seus dispositivos, dando preferência a codecs rivais.

O Google tem uma vantagem clara nesse briga de compressões: a empresa controla não apenas o YouTube, que armazena gigantescas quantidades de vídeos, mas também é dona do Chrome e do Android, o navegador e o dispositivo móvel que consomem este conteúdo. Assim, como aponta o CNET, o Google dita como o codec vai evoluir: introduzindo melhorias as suas tecnologias sem precisar da colaboração de outros membros da indústria.

O Google espera ter o VP10 como padrão até o final de 2016; depois disso, resta às empresas de hardware e software integrar o coded gratuito em seus produtos. Apenas pelo fato do Google providenciar um codec gratuito já dá a ele uma grande vantagem: codecs rivais, como o H.264, favorito da Apple, cobram uma pequena taxa (US$ 0,60) dos fabricantes para cada dispositivo compatível vendido com ele.

Ainda não sabemos o que esperar, mas o VP10 promete uma qualidade melhor pela metade do tamanho do VP9, certamente será algo impressionante. [CNET]