O novo navegador Firefox Quantum, da Mozilla, foi lançado nesta quarta-feira (15), e tem muita coisa legal nele. Uma mudança que você pode observar imediatamente é que agora o seu mecanismo de busca padrão é o Google, em vez do Yahoo. A Mozilla está tratando isso como “fazer a coisa certa para os consumidores”, mas, na realidade, pode estar apenas se aproveitando do péssimo acordo assinado pelo Yahoo.

O Firefox Quantum é a grande tentativa da Mozilla de reconquistar sua fatia de mercado do Google Chrome. É um navegador leve que, aparentemente, é duas vezes mais rápido que sua versão anterior, oferecendo, além disso, maior customização, sem consumir toda aquela RAM que o Chrome normalmente consome. A reputação da Mozilla sofreu um baque nos últimos anos, com Google e Microsoft oferecendo produtos melhorados, e outros navegadores, como o Opera, melhorando cada vez mais.

Como aponta o TechCrunch, em 2014, alguns usuários de Firefox viram o acordo da Mozilla com o Yahoo para torná-lo o mecanismo de busca padrão como um exemplo de como a empresa estava colocando os ganhos financeiros à frente da funcionalidade. Em um comunicado ao TechCrunch nesta quarta-feira, a executiva da Mozilla Denelle Dixon escreveu:

Como parte de nosso foco na experiência de usuário e no desempenho do Firefox Quantum, o Google também vai se tornar nosso novo provedor de busca padrão nos Estados Unidos, Canadá, Hong Kong e Taiwan. Com mais de 60 mecanismos de buscas pré-instalados como padrões ou opções secundárias e mais de 90 versões de idiomas, o Firefox tem mais escolha de provedores de busca do que qualquer outro navegador.

Claro, claro, muitas escolhas. Mas a maioria das pessoas só quer o Google, e agora essas pessoas não vão ter que alterar nada.

Dixon também disse que a Mozilla “exercitou nosso direito contratual de encerrar nosso acordo com o Yahoo! baseado em uma série de fatores, incluindo fazer o que é melhor para nossa marca, nosso esforço para oferecer uma busca na rede de qualidade e um conteúdo mais amplo para nossos usuários”. Como é que é? Direito contratual de encerrar um acordo que, por cinco anos, tornou o Yahoo o mecanismo de busca padrão?

É isso mesmo. Quando a ex-CEO Marissa Mayer estava perambulando pela internet, comprando qualquer coisa que desse na telha para fazer o Yahoo parecer uma empresa moderna, ela pessoalmente fechou o acordo com a Mozilla. De acordo com o Recode, o acordo incluía uma cláusula que permitia à Mozilla se retirar se o Yahoo fosse comprado por uma empresa de que o navegador não gostasse. Desde então, a Verizon comprou o Yahoo, demitiu Mayer e combinou a empresa com a AOL sob um novo nome: Oath. A Verizon pode se importar ou não com essa mudança do Firefox, mas o acordo que Mayer teria assinado fazia o Yahoo se comprometer a pagamentos anuais contínuos de US$ 375 milhões totais até 2019. Considerando o fato de que o Google estava pagando US$ 323 milhões em 2014 pelo direito de aparecer como o serviço de busca padrão, é possível que a Mozilla pudesse estar duplicando seus royalties.

A Mozilla não comentou publicamente sobre os termos financeiros de seu troca de mecanismo de busca. O Gizmodo entrou em contato com a empresa, que reforçou: “Não comentamos termos específicos de nosso acordos”.

O que é certo é que as coisas parecem estar melhorando para a Mozilla, e nas minhas poucas semanas testando o Firefox Quantum, fiquei satisfeita com ele. Com um possível impulso nos rendimentos, dá para enxergar o Firefox se tornando novamente uma força de verdade entre os navegadores. Isso é também uma vitória certa para o Google. Mesmo que algumas pessoas parem de usar o Chrome, muita gente ainda vai usar o Google como seu mecanismo de busca padrão. E o Yahoo só leva para casa o prêmio de participação mesmo.

[TechCrunch]

Imagem do topo: Gizmodo