Um novo relatório emitido nesta segunda-feira (30) por investigadores sobre o desaparecimento do voo MH370, da Malaysia Airlines, afirma que os controles do Boeing 777 provavelmente foram manipulados para tirá-lo do curso deliberadamente. Entretanto, o relatório do governo malaio não conseguiu determinar o responsável.

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Buscas sonares extensas em águas remotas na costa oeste da Austrália não conseguiram localizar os destroços. Segundo o documento oficial, é difícil atribuir a mudança de curso a alguma falha de sistema, sendo “mais provável que tais manobras se devam aos sistemas sendo manipulados”. As 449 páginas do relatório não trazem um culpado ou sequer alguma pista disso, já que não havia nada para sugerir uma tentativa de escapar do radar ou evidências de mudanças comportamentais na tripulação, de acordo com o documento. Partes significativas do sistema de energia do avião, incluindo a função de piloto automático, estavam provavelmente funcionando durante o voo, completa o relatório.

Sem a caixa-preta da cabine, tudo que as equipes de busca até hoje puderam fazer foi adivinhar os momentos finais do voo. Uma análise do governo australiano, por exemplo, sugeriu que o avião ficou sem combustível e afundou no oceano, a uma velocidade que pode ter chegado a set mil metros por minuto. Outros investigadores levantaram a hipótese de que uma pessoa controlou a aeronave até seus instantes finais, jogando o avião contra o oceano em um ponto além do limite de qualquer área de busca. O novo relatório divulgado nesta segunda não reforça nenhuma das teorias, mas também não oferece explicação mecânica para o incidente.

Os investigadores só conseguiram chegar à conclusão de que os controles foram manipulados de forma a tirar o avião de seu curso depois de mapear o trajeto ao analisar conexões de dados com um satélite.

O MH370 desapareceu em 8 de março de 2014, enquanto ia de Kuala Lumpur para Pequim, com 239 pessoas a bordo. Em maio deste ano, a Malásia cancelou uma das várias buscas já feitas pelos destroços da aeronave desde então. Por quase três meses, a empresa norte-americana Ocean Infinity vasculhou 112 mil quilômetros quadrados do sul do Oceano Índico, sem sucesso.

No ano passado, como aponta a Reuters, Austrália, China e Malásia encerraram uma outra operação, que custou US$ 147,06 milhões e abrangeu uma área de 120 mil quilômetros quadrados.

O relatório desta segunda traz ainda menções a falhas dos controladores de tráfego aéreo de Kuala Lumpur. Segundo o documento, eles demoraram para iniciar os procedimentos de emergência, e não havia evidência de que eles estivessem continuamente monitorando os radares.

O desaparecimento do MH370 propiciou, nos anos seguintes ao incidente, uma série de recomendações de segurança para evitar a repetição da tragédia. A partir de janeiro de 2021, novas aeronaves deverão transmitir suas localizações a cada minuto quando estiverem com problemas. Começando já em novembro deste ano, como espécie de preparação para a diretriz mencionada anteriormente, as companhias aéreas deverão rastrear voos a cada 15 minutos, conforme regulações adotadas pela Organização da Aviação Civil Internacional, da Organização das Nações Unidas.

Um dos maiores mistérios da aviação mundial segue sem respostas, e tudo o que Kok Soo Chon, inspetor-chefe da equipe de investigação do desaparecimento do MH370, pôde dizer foi que “a possibilidade de intervenção por um terceiro não pode ser excluída”. “A reposta só pode ser conclusiva se os destroços forem encontrados”, completou.

[Bloomberg, Reuters]

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