Um dos grandes atrativos da NuConta é que o saldo rende juros. Isso poderá ser feito de mais uma forma: o Nubank anunciou nesta terça-feira (4) que oferecerá mais uma opção de investimento aos clientes da NuConta. É o recibo de depósito bancário (RDB). Ele terá o mesmo rendimento da NuConta atual e funcionará da mesma maneira, com aplicação automática do saldo em conta. Por outro lado, ele conta com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O recibo de depósito bancário (RDB) é um pouco diferente por trás das cortinas. Ele funciona de maneira parecida com o certificado de depósito bancário (CDB), que você já deve ter visto na opção “Investimentos” da conta do seu banco.

Ao aplicar em um RDB, você está emprestando dinheiro a uma instituição financeira — no caso, à Nu Financeira, braço de operações de crédito do Nubank que teve sua autorização emitida pelo Banco Central no final de 2018.

O RDB da Nu Financeira conta com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele é uma instituição privada sem fins lucrativos que tem bancos e outras empresas financeiras como associadas. Sua função é dar garantias para clientes e para o sistema financeiro.

O FGC garante que o dinheiro em contas correntes, contas poupanças e aplicações financeiras como CDBs e RDBs serão pagas caso o banco quebre — como aconteceu há um tempo com o banco Neon. O limite de cobertura é de R$ 250 mil para cada CPF.

De acordo com o Valor Investe, 4,8 milhões de clientes da NuConta já tem acesso à nova opção e todos os mais de 8 milhões poderão usar a novidade daqui a duas semanas.

A nova aplicação para o saldo na conta é opcional — quem não quiser aderir poderá continuar com a NuConta nos mesmos moldes que ela é hoje. Diz o blog do Nubank:

Lembrando que essa novidade é optativa e não fazemos nada sem o consentimento dos nossos clientes: você precisa aceitar que seus novos depósitos sejam em aplicações em RDB.  Além disso, a qualquer momento, você pode revisitar a decisão e optar por desativar as aplicações em RDB.

Como é hoje?

O rendimento atual da NuConta vem de títulos públicos federais em que seu dinheiro fica aplicado. Basicamente, o dinheiro da sua conta é emprestado para o governo, que corrige o valor com juros. É parecido com o que acontece no Tesouro Direto, por exemplo.

Isso acontece porque a NuConta é classificada como “conta de pagamento” na legislação brasileira. Ela é um pouco diferente de uma conta corrente tradicional, chamada “conta de depósitos”. Isso acontece porque o Nubank é uma instituição de pagamentos, não um banco.

O Nubank não pode usar os recursos da NuConta para suas próprias operações financeiras. Bancos podem usar uma parte do dinheiro de contas correntes para oferecer empréstimos a empresas e outros clientes, por exemplo. Tudo que o Nubank, por outro lado, pode fazer com a grana da NuConta é depositar esse valor na conta do Banco Central ou aplicar nos tais títulos públicos federais.

Quais as diferenças na prática?

Na prática, pouca coisa muda. A aplicação do saldo em conta continua, e tanto o rendimento atual da NuConta quanto o do RDB são, pelo menos nesse primeiro momento, de 100% do CDI.

(CDI, caso você não saiba, é uma taxa de referência para transações entre bancos que acompanha bem de perto a taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, que estão hoje em 6,5% ao ano.)

A tributação do RDB também é a mesma: há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os juros, caso o dinheiro seja usado menos de 30 dias depois da aplicação, e de Imposto de Renda (IR) que vai diminuindo de 22,5% a 15% à medida que o tempo do depósito passa.

Os riscos também são baixos para as duas modalidades. O rendimento da NuConta por títulos públicos federais contava com garantia do Tesouro Nacional, que também garante o Tesouro Direto. Já a garantia do FGC para o RDB protege as aplicações, caso a Nu Financeira tenha problemas ou venha a falir.

Além disso, a NuConta ganhou outra novidade: ela também passou a aceitar transferências por DOC. Antes, ela só recebia TEDs. DOCs também podem ser feitos de poupanças e, em alguns bancos, sua tarifa é mais baixa que a do TED.

[Nubank, Valor Investe]