Na forma da Project Magazine, primeira grande publicação voltada exclusivamente para tablets (por enquanto, só o iPad). Há um ultrabilionário por trás (sir Richard Branson, do grupo inglês Virgin), jornalistas experientes e a primeira proposta firme de abandonar o papel não por necessidade, mas por escolha. Fizemos um vídeo aqui explicando por que o seu lançamento, anteontem, é tão importante para a imprensa e o que as revistas – de Wired à Veja – têm a aprender sobre o novo meio.

Além de ter uma diagramação muito bacana, com vídeos e animações por todos os lados, reportagens super bem escritas e fotos bonitas, a Project expõe o óbvio: dá para fazer muito mais quando algo não é pensado para o papel e depois traduzido para bytes. "Mas ah, Pedro, não existe isso já, e se chama INTERNET?" Não. Primeiro porque você tem a possibilidade de ler a Project offline, e não há qualquer delay ao virar uma página.

E segundo porque ele é uma revista, e ler revista é legal. Elas estão aí até hoje porque têm análises mais detalhadas ou abordagens diferentes, com uma diagramação que ajuda a ilustrar os pensamentos e que indica como você deve ler as coisas – podendo variar em cada reportagem (ao contrário de jornais online ou blogs, por mais sensacionais que eles sejam, como este Gizmodo). Além disso, escolher ler uma revista é não se distrair com 15 janelinhas te chamando para um chat. Resumindo: revistas, "monotarefa" nunca vão desaparecer. Mas no papel? Acho que elas vão embora antes do que muita gente pensa. Por uma questão econômica.

Hoje, apenas algo em torno de 20% do custo de um jornal é voltado para produzir o que você lê. O dinheiro necessário para manter aquelas redações gigantescas, imprimir tudo em rotativas gigantes, distribuir o papel para as bancas e assinantes, é alto demais e parece que não vai diminuir tão cedo. Ir para um formato eletrônico pode fazer a imprensa voltar a se preocupar em produzir conteúdo de qualidade antes de tudo. E é nisso que a Project aposta.

Para mais projetos assim serem viáveis, é importante, é claro, que mais gente possua dispositivos eletrônicos para leitura. Hoje, para ler uma revista, você precisa ser mais ou menos alfabetizado e ter R$ 10. Por enquanto, o único dispositivo capaz de ler algo do tipo (pelo tamanho e fluidez), é o iPad, e ele ainda é relativamente caro. Quando aparecerem mais tablets desses (e torcemos para que vários outros surjam logo no início de 2011), publicações desse tipo devem se multiplicar rapidamente. E todo mundo ganha.

Aliás, uma revista para tablets do pessoal do Gizmodo falando de tecnologia e impacto dela na sociedade, com reportagens aprofundadas, por exemplo, não seria uma ideia ruim, não é? Só estou comentando…