Enquanto eu fazia um tour pela divisão de Hardware da Microsoft, eu vi alguns conceitos de mice que renovaram minha fé no acessório essencial para desktops: eles têm superfícies capacitivas sensíveis a toque e câmeras que permitem diversos gestos multitoque de precisão.

O que interessa é multitoque. O Grupo de Ciências Aplicadas da Microsoft — que ajudou a criar o Project Natal — estão basicamente pesquisando versões de trackpads que a mão pode segurar, além de sistemas de gestos e câmeras que estão evoluindo ao mesmo tempo, em outro lugar. Apesar dos mice estarem morrendo por causa da preferência de laptops em vez de desktops, o mouse ainda tem bastante força nos campos artístico e de jogos.



A ironia é que a Microsoft revelou estes conceitos de mouse logo depois que surgiram boatos de que um novo Mighty Mouse com multitoque está chegando ao mercado. Enfim, antes que a Apple lance o novo mouse, dê uma olhada nestes, porque tem muita coisa interessante:

Cap mouse: assim chamado porque é sensível a toque e capacitivo, é provavelmente o conceito com design mais completo, mapeado com uma série de gestos, e não só rolar e dar zoom com dois dedos, mas até navegação com o polegar, para ver fotos e jogar janelas pela tela. Os criadores fizeram uma decisão consciente de manter o mecanismo de clique, porque, tal como o trackpad do MacBook Pro do arquicompetidor da Microsoft, o clique físico faz com que o usuário não se confunda. No vídeo abaixo, você pode ver os movimentos dos dedos na esquerda e o resultado correspondente na direita:

Mouse FTIR (reflexão interna total anulada): este mouse usa uma câmera infravermelho que monitora a posição dos dedos em uma superfície curvada de acrílico. A quantidade de posições possíveis neste periférico é fenomenal, mas não deve ser barato usar vídeo em alta resolução da posição das mãos como controle.

Orb mouse: é similar ao FTIR, mas tem uma semiesfera sob a qual fica a mão. A equipe mapeou comandos de jogos para demonstrar como regiões da esfera podem controlar partes diferentes de um programa. Algumas coisas desta esfera fazem sentido: seria fácil se lembrar de gestos pensando na esfera como um relógio, por exemplo. (A posição das 12 horas serviria sempre para uma mesma função, no caso.)

Arty mouse (mouse articulado): um conceito esperto com mutitoque e sem muita sofisticação, ele basicamente entende gestos de pinching (com dois dedos) variados. Ele não tem câmera: em vez disso, cada uma das duas bases para os dedos tem um monitorador, e o sistema mede como os três "mice" se movem, um em relação ao outro, para executar comandos.

Mouse lateral: este meio-mouse estranho tem um monitorador e um botão de clique, como todo mouse desde os primórdios. Mas ele também tem uma câmera voltada para a frente, que interpreta o que seus dedos estão fazendo e porquê. É legal porque é basicamente um Project Natal para a sua mão — você até pode colocá-lo a uns 30cm de distância e gesticular para ele com as duas mãos, se o programa entender esses comandos. Mas tem um porém: quando se está usando este mouse lateral, os dedos precisam tocar a mesa, e aparentemente é um saco ter que mudar a programação do mouse para lidar com os movimentos involuntários da mão.

Eu não pude evitar em me sentir um pouco triste ao falar com esses caras brilhantes sobre mouse. Afinal, apesar de eu ter sido um fanático por mice, faz anos que eu não uso um. Talvez seja por preguiça ou esquecimento, ou pelos meus hábitos de trabalhar no sofá, mas eu sinto que os dias do mouse estão contados. Será que eu estou errado?

Enquanto não descobrimos, veja este vídeo feito pela equipe de pesquisa, com uma bela música ambiente, mostrando como cada mouse funciona.