Como era esperado, o evento do Facebook de hoje envolveu algumas mudanças de design na rede social. Mas são as novas habilidades anunciadas que mostram claramente as cada vez maiores ambições da maior rede social do mundo.

A primeira novidade que Mark Zuckerberg anunciou, batizada de Download Your Information, permite que você baixe suas fotos, mensagens, vídeos e etc. Simples assim! Tudo é baixado num único arquivo no formato zip, para juntar tudo num lugar só, e o arquivo é enviado por e-mail. Por questões de privacidade, será necessário criar uma nova senha e possivelmente uma nova pergunta de segurança. Agora, se você não liga em ver suas informações compactadas passeando pela internet – mesmo que seja direto para o seu e-mail – aí é uma questão inteiramente sua.

Há também um novo painel de informações. Ele agora permite que o usuário veja quais permissões cada aplicativo têm e que informações eles estão usando. Basicamente, é uma forma mais fácil de lidar com questões de privacidade nos aplicativos da rede, exibindo-as de forma mais clara e transparente.

O terceiro principal problema, de acordo com Zuckerberg, é fazer o usuário estar em maior contato com os amigos de Facebook que ele realmente, digamos, se importa. Ele falou sobre opções para otimizar subgrupos que não deram certo – algorítimos, listas de amigos – e revelou que a solução será algo mais “social”. Traduzindo: marcando amigos, como se fosse numa foto.

A ideia é mapear todos os grupos de amigos do mundo real de forma prática e que possa ser usado em contextos diferentes. O Facebook quer fazer a função de seu grupo de e-mails, grupo de bate-papo etc. O Google fez algo similar no Orkut recentemente.

Você pode dividir pessoas entre familiares, atividades, galera do futebol – basicamente o que você quiser. E do mesmo modo que qualquer um pode ser marcado numa foto, todos os usuários de cada grupo podem controlar quem entra. Em termos de design, os grupos ficarão na lateral esquerda da página inicial. Você pode mandar e receber e-mails de um grupo e até editar um documento nele. Não ficou claro se a colaboração dentro dos grupos poderá ser feita e vista em tempo real.

Os grupos não substituirão sua lista de amigos, mas eles estarão integrados por todo o site. Por exemplo, seus feeds de notícias mostrarão as atividades dos grupos, e os sites com Facebook Connect também. Se você não quiser ser parte de um grupo, é só sair (obviamente), e ninguém mais poderá te adicionar sem sua permissão.

Algumas questões ficaram no ar: se eu convidar 10 pessoas para um grupo, nada impede que elas adicionem mais 10 amigos cada, e que esses outros 10 amigos convidem mais 10, e assim por diante. A resposta parece ser a de sempre, o bom senso, já que ninguém quer estar numa lista de e-mail com mais de 250 pessoas. É possível mudar as configurações de notificações de cada grupo, para ajustá-lo ao formato que você quiser.

Os grupos em si também têm configuração de privacidade – eles podem ser grupos abertos, com informações públicas; grupos fechados, ou não públicos, e secretos, nos quais ninguém pode ver quem está participando ou sequer saber que o grupo existe – além de seus membros, claro.

Independente das questões, Zuckerberg aposta numa adoção de 80% dos usuários com o “passar do tempo”. Se você faz parte dos 80%, prepare-se para uma corrida pela escolha dos nomes dos grupos. Você pode batizar um grupo de “Família”, por exemplo, mas há apenas um único endereço nos grupos do Facebook com esse nome. No meu caso, como o grupo BarrettFamily e o Barrett_Family já foram pegos, eu simplesmente desisti de manter contato com meus parentes desse jeito. Foi mal, família!

É difícil fazer um julgamento real sobre os grupos antes de, bem, usá-los, mas à primeira vista parece algo promissor. Vida melhor categorizando meus conhecidos, oras! E, para completar, a maioria dos meus círculos sociais têm um ou outro amigo que não está no Facebook – que é, em partes, o tipo de gente que Zuckerberg está de olho. Ou o grupo desiste da conveniência do Facebook por conta do amigo, ou o amigo cede e entra na rede. Se o Facebook vencer metade dessas batalhas, há um potencial de crescimento enorme por aqui.