Hoje em dia, criar um novo desktop é difícil. Todo mundo adora telas sensíveis ao toque – os dedos começam a ganhar novas interfaces. Mas ficar usando uma tela sensível num monitor é fisicamente cansativo. E agora? A equipe de design da HP, numa manobra esperta, criou um monitor que se dobra para você. E nós temos os desenhos da concepção do novo computador.

O guru do design de computadores da HP, Randall Martin, nos guiou e explicou o processo. Eles sabiam que o velho formato do TouchSmart – com cara de tela sensível ao toque de shopping – não se sustentava mais. Era o pesadelo dos cotovelos, e a sensação é de que era algo errado. Eu não tenho problemas em levantar os braços para clicar na tela do caixa eletrônico, ou para comprar os bilhetes do cinema no shopping – mas navegar pelas notícias ou escrever um artigo? Impossível. Nossos corpos não estão prontos para trabalhar assim, e ao mesmo tempo nossas mãos querem pinçar, puxar e navegar com um simples toque. E a convergência de nossas mãos com nossos computadores é, mais do que inevitável, algo bom em outro sentido. O desktop é a próxima parada da evolução. Mas ele tem que parar de ser muito ruim. O novo TouchSmart da HP não tem nada de muito diferente em relação aos computadores atuais – o software é lento, as especificações são de um desktop só que enfiado numa fatia gorda de plástico, e a tela sensível ao toque em si é instável e imprecisa. Mas eles mudaram algo verdadeiramente importante – o design. E não só na parte visual. Seu desenho em si é tão comum quanto suas especificações. Mas a nova habilidade do TouchSmart de se curvar graciosamente a 60 graus, ficando na posição de um computador de mesa, é brilhante. E talvez seja a única esperança do desktop sensível ao toque do futuro.

Martin explicou quão importante foi criar um mecanismo giratório para que qualquer pessoa possa tirar vantagem do aparelho. Eles queriam uma tela que servisse o usuário bem quando estivesse em posição comum (para, por exemplo, escrever um e-mail pelo teclado), mas que pudesse se transformar em algo que pudesse ser compartilhado com os amigos, em algo bem mais para baixo. Como nós olhamos para as fotos? Como nós lemos um livro? Eles não ficam acima do nosso nariz, só na época que aquela professora malvada pedia – nós colocamos essas coisas numa mesa, ou em nosso colo. Então a tela tem que girar. E ao mesmo tempo tem que ter firmeza. O mecanismo ideal subiria com um esforço mínimo sem danos no aparelho, sendo ao mesmo tempo suave o bastante para descer sem trancos.

Então o que eles fizeram? Desenharam. E desenharam mais. E renderizaram. Criaram uma maquete que continha os componentes do computador, e que ficava na posição de mesa e que fizesse esse movimento copiado de um escorpião. O resultado é uma base que mantém a solidez esperada de um desktop tudo-em-um com a agilidade que nós esperamos de uma máquina mutante que vimos pela primeira vez. Quando ele está deitado, ele não é um tablet, nem um desktop, nem um laptop. Nós não sabemos ao certo como as pessoas o usarão – provavelmente não do jeito que a HP imagina, e com certeza não do jeito atual que os softwares medíocres permitem. Mas a disposição da HP em criar um novo monstrinho que se contorça todo para ser amigo de nossas mãos – esse é o tipo de coisa que nós adoramos ver. O design de um computador não deveria ter nada a ver com algum tipo de acabamento metálico novo – ele deve ser pensado para criar a melhor ferramenta possível para as pessoas. O TouchSmart da HP, claro, tem seríssimos problemas – mas se a atenção dada ao software for próxima a atenção dada ao formato, pode ser uma deslize bom, desses que entram para a história da computação.