Daquele DVD de uma série favorita a um carro, sempre pegamos coisas emprestadas. Mas uma modalidade um pouco mais organizada – e talvez impessoal – do velho hábito de emprestar, com o pomposo nome de “consumo colaborativo”, começa a fazer sucesso nos EUA e em outras partes do mundo. São sites onde é possível encontrar maneiras de usar o que é dos outros para não precisar comprar algo novo. Você vai conhecer alguns exemplos sensacionais a seguir e nos ajudar a responder: será que vai pegar no Brasil?

A junção da crise econômica americana, que deixou o povo com menos grana no bolso e contemplando a possibilidade de quem sabe deixar o consumismo desenfreado um pouco de lado, com a tecnologia que hoje existe em favor de conectar pessoas com objetivos similares, além de outros fatores, foi crucial para que a ideia do consumo colaborativo florescesse na cultura mais orientada ao consumo que existe.

Uma rápida busca na internet traz resultados animadores para quem se identifica com a proposta. Sites e redes sociais propõem a troca ou reutilização de quase tudo, e o apelo é universal: por que comprar algo se você pode alugar, pegar emprestado ou trocar por algo seu com alguma outra pessoa próxima a você?

A proposta do WhipCar, por exemplo, é o aluguel de carros de outros usuários. Sim, carros. Você é daqueles que tem um carro parado na garagem por longos períodos? Com o WhipCar, você poderia colocar o seu carro para aluguel nos períodos em que não estivesse em uso. Os testemunhos no site deixam o benefício claro: “Eu tenho dois carros, e um deles paga os dois”, “Nós nunca usamos nosso carro, e agora ele paga nossas férias”, “Uso pouco pouco meu carro — ele agora se paga sozinho”.

O Zilok e o Share Some Sugar são mais abrangentes. Neles você pode cadastrar tudo que tenha em casa e que possa emprestar (uma filmadora, uma escada, uma furadeira, um videogame, o que quiser). Se um usuário próximo a você estiver precisando de alguma dessas coisas, pode pegar com você e pagar na devolução — tudo intermediado pelo site, claro.

Exemplos como estes não faltam, alguns bastante específicos. Temos o ThredUp, que foca em troca das roupas antigas que já não servem no seu filho por outras, enquanto o TeachStreet coloca a sua especialidade à disposição dos outros — você sabe tocar violão? Ofereça seus conhecimentos na forma de aulas através do site. Os interessados em aprender o que você sabe podem se increver pagando menos do que preço de um curso renomado para aprender um hobby. Isso para não falar de ideias já mais antigas e estabelecidas, como o CouchSurfing (ofereça sua casa como hospedagem para viajantes e se hospede nas casas de outros usuários quando for viajar) ou BookCrossing (liberte seus livros pelo mundo, para que sejam lidos por outras pessoas).

A grande questão aqui é que, na maioria destes casos, é necessário uma grande quantidade de usuários em um mesmo local para que a ideia funcione. Você acha que essa poderá ser uma tendência no Brasil também? Você gostaria que se tornasse? Você já é usuário de algum desses serviços? Conhece alguma iniciativa bacana brasileira nesse sentido?

Caso você se interesse muito pela cultura do consumo colaborativo, o livro a ser lido atualmente é o “What Is Mine Is Yours“, de Rachel Botsman, que em breve será lançado no Brasil pela editora Bookman. Você pode ler um trecho dele, já em português, nesta página do Catraca Livre. E para aqueles que, como eu, não resistem a uma boa palestra do TED, o vídeo acima é composto por 20 minutos da autora explicando melhor do que eu tudo que eu falei aqui neste texto.

Depois de tudo isso, se for o caso, vale espalhar a palavra no seu próprio blog, Facebook, Twitter ou o que seja. Quem sabe a coisa chama atenção, aparece no Fantástico e “vinga”? [Folha]