Um detalhe, praticamente um easter egg em um vídeo promocional mostrando os super poderes da câmera PureView do Lumia 920, colocou a Nokia em uma saia justa bem chatinha.

No vídeo, que publicamos mais cedo ao falar da câmera do Lumia 920, aparece uma tomada comparando o vídeo sem e com a estabilização de imagem ativada. A diferença é nítida. Com a estabilização (OIS), ele é suave, sereno, sem trepidações. Confira comigo no replay:

Ocorre que, no fim das contas, isso aí não foi filmado por um Lumia 920.

Um reflexo em parte do trajeto trouxe à tona a história. Nele dá para ver, atrás do cara de bicicleta que teoricamente estaria filmando a mocinha com os smartphones, uma van de porta aberta com um cinegrafista segurando um equipamento bem grande — uma câmera, uma DSLR, alguma coisa que não se parece em nada com um smartphone. O GIF abaixo mostra bem:

GIF incriminador.

Ao ser questionada, a Nokia admitiu que, de fato, o vídeo mostrando a estabilização de imagem em ação não foi filmado com um Lumia 920. Ao Verge, um porta-voz da Nokia disse que “nunca foi a intenção da empresa enganar ninguém, mas apenas mostrar os benefícios da estabilização de imagem.” A empresa atualizou o post sobre o tema no Conversations, o blog corporativo da empresa (veja um “antes e depois”) e prometeu incluir essa informação no próprio vídeo.

Legal, muito digno admitir um erro, mas a grande questão é: por que não deixaram isso claro desde o princípio? Porque talvez tenhamos perdido alguma coisa (nós e todos os sites de tecnologia do mundo), mas a forma com que o vídeo se passa dá a entender que se trata um comparativo direto entre um “smartphone topo de linha” e o Lumia 920. Sob esse novo ângulo, inclusive, o vídeo perde todo o seu sentido; já sabemos que uma DSLR filma bem melhor que qualquer smartphone, não é preciso um comparativo para provar.

Isso não quer dizer, nem de longe, que a câmera PureView do Lumia 920 seja ruim. Já estão rolando alguns hands-on por aí (corra para o 1min30 neste vídeo) e, apesar da escorregada, achamos que a Nokia não seria maluca de se queimar tanto com uma promessa desse calibre infundada. No fim acaba sendo um desgaste desnecessário e mais combustível para desconfianças. [PocketNow, The Verge]