Eu não sei se o Facebook tem uma equipe secreta trabalhando em um telefone cujo sistema operacional eles possam controlar. Mas isso não é necessário. O Facebook já está profundamente integrado ao Android e ao iOS. E agora, com a parceria com a Microsoft, ele está amarrado ao smartphone mais socialmente otimizado que já deu as caras no mercado.

"Eu acredito que esta seja uma das parcerias mais empolgantes que já fechamos", disse o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, durante o anúncio sobre o Bing na quarta-feira. "Na nossa visão, esperamos que cada indústria seja profundamente revolucionada durante os próximos cinco anos por alguém que tenha construído um ótimo produto, profundamente relacionado à area em questão, mas com a diferença de ser extremamente integrado, socialmente".

Os primeiros aparelhos Windows Phone 7 chegam às lojas norteamericanas em novembro. O sistema operacional da Microsoft foi completamente refeito, depois que o o seu predecessor, Windows Mobile, teve sua popularidade minada por aparelhos mais amigáveis ao consumidor comum, como o iPhone da Apple e os smartphones com Android do Google.

Todos os aspectos do Windows Phone 7 são voltados às redes sociais: o telefone, os contatos, os jogos, as fotos, até o Office. Focar o aparelho nos diferentes "hubs" não significa apenas que os apps de cliente local e os apps de nuvem ficarão agrupados lado a lado. Significa que eles trabalharão juntos.

A Microsoft tentou, explicitamente, construir um telefone para redes sociais com integração com Facebook, Twitter, Flickr e Myspace — o Kin. Mas ele falhou e foi morto pela Microsoft, principalmente por exigir um plano de dados de smartphone mesmo não sendo um smartphone completo.

Os componentes sociais e de compartilhamento baseados em nuvem do Kin sobrevivem no Windows Phone 7. Eles sempre estiveram lá. Só que agora o Flickr e o MySpace se perderam.

Mesmo antes do anúncio relacionado ao Bing, o Facebook estava suspeitamente presente na apresentação do WP7. Joe Belfiore, da Microsoft, propôs um cenário onde os usuários poderiam tirar uma foto, e o upload dela para o Facebook seria feito automaticamente, sem nem abrir o ablicativo do Facebook.

No press release para o WP7, a Microsoft avisa que "a tela inicial personalizável com os Live Tiles oferece atualizações em tempo real para que você possa acompanhar a última previsão do tempo, as novidades da sua banda favorita, a página do Facebook de um amigo e mais, tudo com apenas um olhar". (Ênfase adicionada por mim.)

Nada disso foi por acidente. A parceria Facebook-Bing já estava acontecendo.

É exatamente a estratégica que Zuckerberg comentou em entrevista com Michael Arrington, onde ele explicou por que o Facebook não estava projetando o seu próprio telefone.

Zuckerberg fez apenas uma menção passageira ao WP7 naquela entrevista: "Se o Windows Phone 7 der certo, eu tenho certeza que colocaremos recursos nele". Mas ele acrescentou, em referência aos seus esforços com o iPhone e o Android, "a questão é: o que poderíamos fazer se também começássemos a ir mais fundo no sistema? Isso é grande parte do que estamos pensando a respeito".

Para fazer isso, Zuckerberg explicou, é necessário encontrar uma empresa que esteja disposta a incorporar elementos de redes sociais dentro do sistema operacional — não apenas adicionar uma camada acima do que já estiver fazendo, mas tornar isso o foco do aparelho e dos seus serviços.

A Microsoft é ao menos uma das empresas que se encaixa nessa descrição.

"Nós começamos a pensar em como seria uma busca social, e começamos a procurar por parceiros", contou Zuckerberg. "A Microsoft é a zebra nessa corrida, e eles estão cheios de incentivos para tentar coisas novas".

Ele estava falando de busca, mas poderia estar falando de telefones.

A Microsoft pode ser a zebra em busca e em telefones, mas está à frente do páreo em termos de incorporar camadas sociais aos seus produtos. O Zune tinha compartilhamento de músicas e fotos entre aparelhos via Wi-Fi antes do iPhone ser sequer anunciado.

Mas era uma rede fechada, apenas de Zune para Zune, e depois de Zune para Xbox. Para ultrapassar seus próprios limites, a Microsoft se juntou ao Facebook cedo (ela ainda detém parte da companhia), e o Facebook ajudou a moldar a estratégia social da Microsoft.

A Microsoft esteve construindo, sem alarde, uma rede social. Ninguém percebeu. O Windows Live, o Office Live a Xbox Live, todos eles são redes sociais onde os usuários trabalham, compartilham arquivos e conversam. Você usa a mesma identidade em todos estes serviços, em cada aparelho da Microsoft.

E o Facebook já está enraizado em todos eles: é incluso no Messenger, no Hotmail e no Outlook, e é uma das coisas que dá uma dimensão social à Xbox Live. E o Bing já está incorporado ao Facebook, na forma de mapas e resultados de busca.

Agora as informações do Facebook foram incorporadas aos resultados de busca do Bing. E "busca" é um dos três únicos botões presentes em cada aparelho Windows Phone 7.

Consequentemente, a parceria do Facebook com o Bing não tem a ver só com o Google. Não tem a ver só com os itens mais "Curtidos" do Facebook aparecendo quando você faz uma busca.

A ideia é incorporar uma camada social sobre a mídia em cada aparelho na sua casa, do seu telefone ao que quer que esteja ligado na sua TV. É tornar esses aparelhos mais inteligentes no que diz respeito à comunicação deles uns com os outros e de uma plataforma à outra.

Foi isso que mais me marcou no evento de lançamento do Windows Phone 7. O pessoal do Office demonstrou como usar o Windows Live para fazer streaming de um PowerPoint de um PC com Windows para um Mac. O pessoal do Xbox mostrou como como conversar sobre um filme do Netflix com os seus amigos do Facebook via Xbox Live. O povo de hardware exibiu uma webcam HD com grande ângulo de visão que permitirá que uma família inteira converse com outra família inteira nas suas salas de estar. Integração profunda entre aparelhos, mídia e serviços — usando a nuvem para fortalecer as interações interpessoais através de voz, imagens e texto.

Se pensarmos na tentativa da Apple, com o Ping, de trazer uma camada social ao iTunes (que foi criticada, em parte, porque a Apple não ofereceu integração com Facebook), ou na ideia da Sony de uma televisão multitarefa, ou na intenção que o Twitter tem de chegar à TV do usuário através do Google TV, fica claro que essa é a direção que estamos seguindo.

Os únicos lugares em que a Microsoft e o Facebook são "zebras" são a busca e os smartphones. No que diz respeito a redes sociais e parcerias inteligentes com outras empresas — incluindo uma com a outra — essas duas estão bem na frente.

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