Os astrônomos estavam agitados na semana passada após a descoberta de um asteroide ativo na órbita de Júpiter. Eles pensavam que podia se tratar de um novo tipo de objeto celeste. Investigações posteriores revelaram que é um cometa comum em uma órbita enganosa.

Na semana passada, o objeto 2019 LD2 foi identificado inicialmente como o primeiro asteroide troiano ativo conhecido por causa de sua cauda semelhante a um cometa.

O objeto foi identificado como tal por astrônomos do Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS, ou algo como “sistema de último alerta de impacto terrestre por asteroide”, em tradução livre) da Universidade do Havaí e por uma equipe colaborativa da Universidade de Queen’s Belfast.

A Universidade do Havaí emitiu um aviso de correção na terça-feira (26), observando que o objeto foi reclassificado como um verdadeiro cometa, mas “com uma órbita caoticamente mutável que atualmente se assemelha à de um asteroide troiano”.

Os asteroides troianos estão localizados no mesmo caminho orbital de Júpiter, com um grande grupo na frente e outro atrás do gigante gasoso. Eles são asteroides inertes e mortos, sem mostrar sinais de atividade superficial. Por isso, a aparente descoberta de um ativo seria tão importante. Asteroides ativos, embora raros, são semelhantes aos cometas, pois liberam materiais superficiais voláteis, como gás e poeira.

A hipótese de o 2019 LD2 ser um cometa e não um asteroide troiano ativo foi sugerida pelos astrônomos amadores Sam Deen e Tony Dunn no final da semana passada na Lista de Correspondência do Minor Planet, de acordo com o comunicado de imprensa da Universidade do Havaí. A natureza cometária do objeto foi confirmada pelos astrônomos do ATLAS e pelo japonês Shuichi Nanako.

O objeto foi renomeado como cometa P/2019 LD2 (ATLAS), de acordo com o Minor Planet Center da União Astronômica Internacional.

Ele é um cometa da família Júpiter, e não é membro da comunidade troiana, mas ainda está sob a influência gravitacional do gigante gasoso. Os cometas da família Júpiter têm órbitas estendidas que os levam até o sistema solar externo e depois os trazem de volta novamente para perto de Júpiter. Eles são considerados cometas de curto período, com períodos orbitais inferiores a 20 anos.

A órbita do P/2019 LD2 o aproxima de Júpiter numa frequência de algumas dezenas de anos, mas cada vez que passa pelo gigante gasoso, seu caminho orbital passa por um grande reajuste. Por isso falam em “mudança caótica da órbita”. Atualmente, o objeto está em uma posição orbital que se aproxima das órbitas dos asteroides troianos. Daqui a algumas décadas, o caminho orbital do P/2019 LD2 mudará novamente. É quase certeza que ele não vai mais ser confundido com um troiano.

Tudo isso é um pouco decepcionante, é claro, mas é assim que a ciência funciona. O episódio confirma a natureza dos troianos de Júpiter como objetos inertes e chatos. Porém, aprenderemos mais sobre eles daqui a alguns anos. A NASA planeja enviar uma espaçonave chamada Lucy para explorá-los entre 2027 e 2033.