Parece artigo repetido, de que o aquecimento global e o clima nunca estiveram tão quentes como antes, mas é notícia nova: um novo estudo descobriu que o Oceano Atlântico teve sua década mais quente em pelo menos 2.900 anos.

As novas descobertas, publicadas no Proceedings of the National Academy of Sciences nesta segunda-feira (12), são baseadas por um conjunto de análises do gelo e núcleos de sedimentos, bem como dados de termômetro para rastrear o estado do Atlântico. O oceano passou por uma conhecida oscilação para cima e para baixo na temperatura da superfície do mar, chamada oscilação multidecadal do Atlântico (AMO, na sigla em inglês).

Traçado ao longo de centenas de anos, o AMO parece um padrão de onda bastante estável. Em sua fase quente, pode levar a um maior número de furacões intensos, enquanto o oposto é seu estado verdadeiro, em sua fase fria. Além dos furacões, o AMO também influencia a temperatura e a precipitação sobre as massas de terra imediatamente adjacentes ao oceano e em lugares distantes, como a Índia.

Portanto, o estado do AMO é importante, especialmente sabendo para onde está indo em um clima de aquecimento. Para saber onde o AMO esteve, os pesquisadores se voltaram para uma fonte surpreendente: o sedimento em um lago na Ilha Ellesmere, no Ártico canadense. A região é uma das áreas fortemente influenciadas pelas mudanças nas temperaturas do Oceano Atlântico. Quando o Atlântico esquenta, ele cria uma pressão maior sobre a região, resultando em uma camada de neve mais fina; menos neve acumulada significa menos escoamento de sedimentos.

Os pesquisadores foram capazes de analisar o titânio, camada após camada do sedimento do lago, para criar uma série temporal das temperaturas do Oceano Atlântico nos últimos 2.900 anos. A descoberta mostra que o padrão de ondas de períodos quentes e frios remonta ao passado, incluindo um grande mergulho no coração da Pequena Idade do Gelo, que durou de 1300 até cerca de 1860. Desde então, tem aumentado constantemente, com um pico acentuado nas últimas décadas.

Os cientistas também compararam partes do novo Ártico canadense com núcleos de sedimentos mais curtos e de alta resolução de outros locais, incluindo um da costa sul da Islândia que cobre os últimos 230 anos ou mais. Esse registro se baseia em Turborotalita quinqueloba, uma minúscula criatura de concha que adora água fria, como substituto da temperatura. O núcleo mostra uma queda em seus números ao longo do século passado, com a taxa de desaparecimento se acelerando.

Os resultados somados mostram que “o aquecimento recente do Atlântico não tem paralelo” em pelo menos 2.900 anos. Existem fatores naturais que podem estar influenciando a mudança, mas é impossível não considerar o impacto das alterações climáticas. A marca registrada é o calor, especialmente nos oceanos. As ondas de calor marinhas tornaram-se mais comuns e intensas. Descobertas publicadas no mês passado mostram que o aumento do calor está causando a estratificação dos oceanos. O gelo marinho do Ártico também caiu para o segundo nível mais baixo registrado em setembro, novamente devido aos oceanos mais quentes.

No caso do Atlântico, o aumento do calor levanta preocupações sobre como os padrões de precipitação podem mudar em locais dependentes da agricultura de sequeiro, bem como o risco de furacões mais intensos na bacia. É claro que isso sempre seria motivo de preocupação em um planeta com superaquecimento rápido, mas o novo estudo mostra o quão longe estamos dos limites do clima do passado.