A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira (17) um comunicado reforçando que os benefícios da vacina da AstraZeneca/Oxford superam os riscos, além de esclarecer que não há evidências de que os casos de coágulos relatados na Europa estão relacionados ao imunizante. A organização ainda recomenda que a distribuição das doses continue.

Desde a semana passada, controvérsias relacionadas à vacina da AstraZeneca/Oxford têm levado à suspensão do imunizante na Europa. Até agora, 15 países já declararam que vão deixar de aplicar as doses da farmacêutica em sua população temporariamente como uma medida de precaução.

A decisão foi motivada por relatos de coágulos e mortes de pessoas que haviam sido vacinadas. No entanto, ainda não há qualquer evidência de que esses incidentes estejam, de fato, relacionados à vacina, conforme já havia sido apontado pela Agência de Medicamentos Europeia (EMA).

Considerando que as campanhas de imunização têm avançado de forma muito mais lenta que o esperado devido à falta de vacinas, as suspensões recentes levantaram preocupações, principalmente diante do aumento no número de casos de Covid-19 em países como a Itália.

A OMS explica em seu comunicado que eventos tromboembólicos são frequentes, sendo inclusive a terceira doença cardiovascular mais comum no mundo. Ainda de acordo com a organização, a vacinação contra Covid-19 “não reduzirá doenças ou mortes por outras causas”.

A vacina da AstraZeneca continuará a ser monitoradas pela OMS e o comunicado diz que, assim que a análise dos dados de segurança mais recentes for concluída, a organização comunicará imediatamente os resultados ao público. Por enquanto, a recomendação é que a distribuição de doses continue.

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Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também divulgou um comunicado sobre o assunto, informando que “os dados não apontam alteração no equilíbrio benefício‐risco da vacina e recomenda a continuidade do seu uso pela população brasileira”. Segundo o órgão regulador, o lote associado aos casos relatados na Europa não veio para o Brasil.

Nos EUA, a AstraZeneca ainda está finalizando os testes de fase III, o que significa que a farmacêutica ainda não solicitou a autorização de uso emergencial. Com isso, 30 milhões de doses estão armazenadas e impossibilitadas de serem distribuídas aos norte-americanos. O Brasil já havia solicitado 10 milhões de doses ao governo Biden, mas nesta quinta-feira (18), foi anunciado que o país pretende enviar os imunizantes aos seus vizinhos, México e Canadá.

[OMS, Anvisa, CNN, Canaltech]