O novo coronavírus, batizado oficialmente como COVID-19, continua se espalhando ao redor do mundo – centenas de casos foram relatados fora da China, que antes era o único epicentro do surto. Mas, por enquanto, a Organização Mundial da Saúde disse que não irá declarar que o surto se trata de uma pandemia – o grupo defende que tal anúncio seria prematuro e só espalharia medo.

Durante o final de semana, diversos países relataram um salto nos casos do COVID-10. Na Itália, já são mais de 200 casos; na Coreia do Sul, mais de 800; e no Irã, pelo menos 61 casos. Ao redor do mundo, o novo vírus já atinge 80 mil casos em mais de duas dúzias de países, com pelo menos 2.627 mortes.

No entanto, as estimativas provavelmente são apenas a ponta do iceberg e há relatos contraditórios sobre a escala de alguns desses surtos. No domingo, um parlamentar do Irã contestou a contagem oficial do governo, afirmando que houve pelo menos 50 mortes na cidade de Qom; o país até agora só relatou 12 mortes. (O governo do Irã nega que esteja subnotificando o número de mortes por causa da doença).

Essa estimativa mais alta, dada a taxa de mortalidade relativamente baixa (variando de 2% na China a menos de 1% em outros lugares), pode chegar a centenas de casos não detectados, se não milhares. No início do fim de semana, um funcionário do Ministério da Saúde do Irã declarou que poderia haver casos em todas as grandes cidades do país.

Numa coletiva de imprensa realizada segunda-feira (24), o Diretor Geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus expressou a sua preocupação com esses focos da COVID-19. Mas por várias razões, ele declarou que a OMS ainda não iria declarar uma ameaça de nível pandêmico.

“Por enquanto, não estamos testemunhando a disseminação global descontrolada desse coronavírus, e não estamos vendo adoecimentos graves ou mortes em larga escala”, disse ele. “O que vemos são epidemias em diferentes partes do mundo, afetando países de diferentes maneiras e exigindo uma resposta sob medida.”

Na China, disse Tedros, o crescimento de novas infecções parece ter desacelerado nos últimos dias, enquanto alguns outros países foram capazes de impedir que os casos se espalhassem ainda mais – ambos bons sinais que poderiam argumentar contra a probabilidade de isso se tornar uma pandemia. Ao mesmo tempo, acrescentou, os países têm que fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se prepararem para essa possibilidade.

“Usar a palavra pandemia agora não se encaixa nos fatos, mas pode certamente causar medo […] Não vivemos em um mundo binário, em preto e branco”, disse ele. “Temos de nos concentrar na contenção, enquanto fazemos tudo o que podemos para nos prepararmos para uma potencial pandemia.”

Nesse momento, não está claro exatamente quais seriam os critérios para a OMS mudar de ideia. A Reuters noticiou recentemente que a organização abandonou seu antigo sistema de classificação para uma pandemia, que havia sido usado anteriormente para a pandemia de gripe H1N1 em 2009.

“Para fins de esclarecimento, a OMS não utiliza o antigo sistema de 6 fases”, disse um representante da OMS ao Gizmodo via e-mail, ao mesmo tempo em que afirmou novamente a necessidade de vigilância. “Definições e terminologia à parte, nossos conselhos continuam os mesmos, e continuamos trabalhando com os países para limitar a disseminação do vírus, enquanto também nos preparamos para a possibilidade de uma disseminação mais ampla.”