Por 15 minutos eu me perguntei diversas vezes: “o que diabos é isso?”. Por 15 minutos, eu não tive resposta alguma. Mas tirei algumas conclusões sobre o Galaxy Note, o celular, tablet e caderneta de anotações virtual da Samsung.

Antes de tudo, veja bem a foto abaixo:

Tá vendo esse pequenino smartphone ao lado do Galaxy Note. Trata-se do Galaxy S II, sabe? Aquele smartphone com tela de 4,3 polegadas que quase não cabe na mão de um brasileiro médio. Perto do Note, qualquer smartphone vira menininha. E até tablets com sete polegadas ficam assustados. Mas qual é a ideia por trás de um celular com tela de 5,3 polegadas e canetinha stylus embutida?

Esqueça tablets e smartphones. Aparentemente, o Galaxy Note quer ser o terror dos cadernos de anotação, como os clássicos Moleskines. Com a stylus em punho e o aplicativo S Note aberto, o aparelho se transforma numa interessante máquina de anotações e rabiscos. Há diversas opções de customização de cor e e formato de desenho, mas no geral ele segue o mesmo padrão de outros apps, tentando emular a sensação que temos quando escrevemos do jeito que nossos pais escreviam. E, como quase sempre, o resultado não é dos mais empolgantes – pode divertir por alguns minutos, mas a precisão e a ausência de detalhes de pressão na tela diminuem o interesse.

Mas esqueça a stylus. Você a usará bem pouco. Nós queremos falar de outra coisa: como um aparelho de 5 polegadas quer entrar no seu bolso e fazer ligações. Com a ajuda do camarada Guilherme Tagiaroli, do UOL, chegamos a conclusão de que o Note não foi feito para entrar no seu bolso – será preciso uma grande reforma na indústria do tecido para se adaptar ao formato. Tudo bem, já que o Note, como o nome diz, quer ser um caderno de anotações. Mas então por que ele faz ligações? Eu já vi alguns caras na Avenida Paulista usando o Galaxy Tab original na orelha e não quero ter de ver mais cenas infernais no meu dia a dia.

Mas talvez a parte da ligação seja a solução para se diferenciar do Streak, tablet de 5 polegadas da Dell que foi uma falha completa e mostrou que não havia muito futuro para a categoria. Por um ano as empresas fugiram do formato. Com as ligações, é possível argumentar em um debate acalorado que, ei, pelo menos eu aposentei meu tablet e meu celular ao mesmo tempo.

Mas esqueça também as ligações. A tela do Note é uma maravilha. 1280 por 800 pixels. Mais do que HD. Dentro de um Super AMOLED Plus. Ele brilha que é uma beleza só, com aquelas cores que beiram a saturação mas apresentam equilíbrio. Só que, veja bem, ela é uma tela de AMOLED gigantesca e brilhante rodando Android. Você sabe o que isso significa? Promessa de 4 horas e meia de bateria em ligações.

Nah, deixa pra lá, esqueça a bateria também. Ele tem 178 gramas, um peso muito aceitável para um smartphone de 5,3 polegadas. O design é bem semelhante ao do Galaxy S II, apostando mais em plástico do que metal, mas com um belo acabamento na parte traseira.

Agora que eu pedi para você esquecer diversos detalhes do Galaxy Note para poder entender o aparelho, junte tudo com a sua massa cinzenta e entenda o caos que aconteceu no meu cérebro durante 15 minutos. Eu não sei dizer o que ele é. Saí do local desnorteado e dei de cara com um Galaxy de 7,7 polegadas que, sinceramente?, não é tão maior assim do que o Note. Eu quero entender o Note. Quero entender onde a Samsung quer chegar com essa caderneta digital que quer aposentar basicamente todos os aparelhos móveis eletrônicos que você usa. Após 15 minutos, minha única conclusão foi: quem tudo quer, nada tem. Viu como foi uma situação desconfortável? Fez-me até usar um clichê para terminar o post.

 

* O Gizmodo Brasil viajou para Berlim a convite da Philips e agradeceu à reforma ortográfica por matar a trema. Por que ela está em tantas palavras aqui? É feio! Agradecemos também a Samsung por emprestar a NX100 que registra a viagem.