A OneWeb, uma empresa britânica de telecomunicações, lançou 34 satélites no espaço na madrugada desta sexta-feira (7). Esses satélites fazem parte de uma constelação que em breve poderá ter 648 componentes, em um sistema para rivalizar com a Starlink, de Elon Musk. Estamos oficialmente entrando na nova corrida espacial — uma que ameaça a astronomia e a segurança da órbita baixa da Terra.

Os satélites foram alocados em uma altitude de 450 km e então vão, aos poucos, ascendendo para uma altura operacional de 1.200 km durante o período de 20 semanas, segundo a documentação da OneWeb.

Esta é a segunda leva de satélites OneWeb a entrar no espaço, mas é o primeiro de muitos outros esperados da empresa de telecomunicações neste ano, que está colaborando com a divisão de defesa e espaço da Airbus. A OneWeb, que lançou seis satélites para o espaço em 27 de fevereiro de 2019, poderia implantar até 22 missões em 2020 — um ritmo que rivalizaria com o estabelecido pela SpaceX, que agora está lançando cerca de dois lotes de 60 satélites Starlink por mês.

Engenheiros da OneWeb preparando os satélites. Crédito: OneWebEngenheiros da OneWeb preparando os satélites. Crédito: OneWeb

As constelações OneWeb e Starlink são semelhantes, pois pretendem fornecer internet de banda larga a clientes pagantes de todo o mundo. Mas enquanto a constelação da OneWeb consistirá em 648 unidades individuais, o plano da SpaceX sofrerá uma megaconstelação de até 42 mil unidades. Dito isto, esta é a primeira fase da constelação OneWeb, para que possa aumentar substancialmente de tamanho no futuro.

O sistema da OneWeb deve ficar online no modo de demonstração até o fim do ano, segundo o comunicado da companhia. Serviços completos para “setores como marítimo, aviação, governo e empresas” podem acontecer até o final de 2021, de acordo com a OneWeb.

Para pagar tudo isso, a OneWeb levantou recentemente US$ 1,25 bilhão, a maior parte do Softbank, reporta o TechCrunch, totalizando um aporte de US$ 3,4 bilhões. Em comparação, a SpaceX pode lançar seus satélites a preço de custo, uma vez que é uma companhia que produz foguetes. Enquanto isso, rivais em potencial como Amazon, Telesat e Facebook — que expressaram intenções semelhantes de construir constelações de satélites que transmitem a internet — ainda não colocaram um único satélite na órbita da Terra.

Outra diferença entre OneWeb e SpaceX — pelo menos na cabeça do Wyler — tem relação com a abordagem da OneWeb de construir sua constelação. A empresa acredita que “os atuais regulamentos de mitigação podem ser insuficientes quanto às salvaguardas ambientais”. Para garantir a segurança e o controle de sua constelação, os satélites devem ser capazes de evitar colisões e autodestruição, entre outras coisas. Sobre este último ponto, os satélites são projetados para saírem da órbita e queimarem na atmosfera pelo menos cinco anos após serem desativados (os satélites Starlink tem previsões similares).

Satélites ameaçam observações astronômicas

Tudo isso parece muito legal, mas estes planos não detalham a forma como a constelação OneWeb e outras devem interferir as observações astronômicas. No recente 235º Encontro da Sociedade Astronômica Americana (AAS), em Honolulu, no Havaí (EUA), astrônomos citaram ameaças potenciais em imagens astronômicas, artefatos estranhos causado pela saturação da luz e interferência de rádio. Isto não é uma preocupação sem sentido, dado que a constelação Starlink já causou problemas para alguns astrônomos.

O outro risco dessas grandes constelações de satélites de internet tem a ver com o número de objetos no espaço. Como o Gizmodo reportou na semana passada, quando dois satélites defuntos evitaram por pouco uma colisão, cada satélite adicionado à órbita aumenta as probabilidades de acidentes. Ao manobrar os satélites para evitar colisões, os operadores correm o risco de deslocar os satélites para os caminhos orbitais de outros objetos — um problema que exigirá vigilância constante e tecnologias poderosas de vigilância e ação rápida.

Para as empresas dos EUA, é a FCC (Comissão Federal de Comunicação) que aprova estes programas espaciais. Até agora, no entanto, a FCC tem demonstrado uma atitude de livre mercado em relação a estas constelações. É um caso clássico de inovações tecnológicas e forças do mercado agressivas, mantendo-se à frente de regulamentações.

A FCC e outros reguladores precisam ficarem espertas sobre a situação desses satélites. Estamos agora em um cenário de faroeste selvagem no espaço, cujas consequências estão cada vez mais em foco.