A Opera vai abandonar sua engine própria e abraçar o WebKit em seus navegadores – a transição será gradual e começará neste ano.

Enquanto navegadores como Chrome e Safari usam a engine WebKit, a Opera desenvolve a sua própria engine, o Presto. Mas a empresa decidiu abandonar a plataforma para contribuir no desenvolvimento da outra, como explicou o CTO Håkon Wium Lie:

Faz mais sentido colocar nossos especialistas trabalhando com comunidades open source para melhorar WebKit e o Chromium, em vez de desenvolver nossa própria engine

Se por um lado a Opera se juntar à plataforma mais comum pode ser bom para melhorar o desenvolvimento dela, há quem não veja a mudança com bons olhos. Desenvolvedores acreditam que a mudança pode “prejudicar a web aberta” e “incentivar a monocultura do WebKit”, como escreveu Robert O’Callahan em seu blog:

A diversidade de engines está criticamente danificada – e mais difícil, porque isso vai fortalecer a monocultura móvel do Webkit e tornará mais difícil para nós promovermos padrões web além de “programar para Webkit”

O’Callahan continua falando que a diversidade de padrões na web perderão o significado e todas as decisões passarão a ser tomadas considerando o WebKit.

O especialista em compatibilidade de navegadores Peter-Paul Koch também lamentou a decisão da Opera. Ele acredita que agora a empresa vai “perder poder político na comunidade de padrões da web”.

Lembrem-se: para se tornar padrão, qualquer inovação na web precisa ter pelo menos duas implementações interoperáveis. Isso significava que eram duas em quatro, mas agora são duas em três. A mudança da Opera vai diminuir a velocidade da inovação?

O poder da Opera de suportar certos padrões ao implementá-lo diminuiu. Claro, eles podem adicionar um recurso do WebKit, mas não é a mesma coisa de colocar no Presto e distribuir. Tem muito mais gente envolvida no WebKit, e alguns podem discordar com o padrão proposto e não implementá-lo.

O Opera é usado por mais de 300 milhões de pessoas pelo mundo em todas as suas versões, e a partir de agora todas essas pessoas passarão a usar a engine WebKit. A versão móvel para Android já usando o WebKit deve dar as caras no Mobile World Congress, que será realizado no fim do mês. A partir daí saberemos se a decisão da Opera foi realmente ruim para a diversidade na web. [Opera, The Verge, CNET]