Você sabe como o Street View é feito, mas ainda não conhece os bastidores. Um motorista que guiou um carro do Street View, para fotografar as ruas de São Paulo durante seis meses, conversou com a Folha e contou detalhes que ainda não sabíamos: como lidar com o calor, fios baixos nas ruas, o assédio do público e o medo de perder a privacidade.

Perder a privacidade? Bem, tem gente com medo disso acontecer por causa do Street View também! Como conta o motorista (que pediu para não ser identificado), ele já viu gente saltando para trás de balcão de bar para não ser visto pelas câmeras.

Bem, como o Fiat Stilo com nove câmeras num suporte em cima do carro chamava a atenção, o assédio era meio que inevitável: “os bundalelês, os xingamentos, as manifestações de carinho, pedidos de fotografia, tinha de tudo”.

Mas a exposição era um problema para os motoristas também: “certa vez filmaram um dos motoristas falando no celular, sem cinto e ultrapassando pela direita… Não sei se alguém perdeu o emprego por causa disso, mas é bem provável.”

O trabalho, segundo o motorista, rendia R$1.800 por mês (incluindo benefícios). Ele tinha uma área específica para dirigir e fotografar, mas podia fazê-lo na ordem que quisesse. Enquanto eles andavam, o Google monitorava as fotos em tempo real direto dos EUA: “Às vezes faziam ligações diretamente de lá para os motoristas, para… dizer ‘refaça o caminho tal porque as imagens ficaram um pouco embaçadas’… “.

Claro que ele passava por problemas: conexão à internet falhando, discos rígidos superaquecendo com o calor da cidade, e fios baixos nas ruas – todo motorista levava uma vassoura no carro pra lidar com esses cabos. Mas isso não é tudo: ele conta mais detalhes para a Folha, e recomendamos que você vá lá saber de tudo. Tem mulher pelada envolvida na história… [Folha]