A Campus Party acabou, e com ela toda aquela aglomeração de casemods surreais – as modificações malucas que os mais dedicados fazem em suas máquinas (geralmente maravilhosas).

Em primeiro lugar, vale falar que houve uma espécie de consenso entre todos com quem conversei: a Campus Party 2011 esteve fraca em matéria de casemods em relação aos anos passados. Mesmo assim há coisas impressionantes. Vamos ver os três mais criativos?

Medalha de bronze: o Steampunk

Esta belezinha dividida em duas partes estava sem o seu dono por perto quando fotografamos (e quando voltamos depois), mas eu não me surpreenderia se fosse o próprio Andrew Ryan. O gabinete em formato personalizado é feito de madeira, há uma iluminação verde neon por dentro e quatro ventiladores na parte superior para evitar que o troço todo frite. Uma bobina aparentemente de cobre dá o toque final, tornando essa uma peça bem interessante de se olhar.

Medalha de prata: Chucky’s Mod

O computador assassino acima é um monstro, tendo cerca de duas vezes a altura e a largura de um gabinete normal. Todo tematizado com o personagem Chucky – uma bola de LEDs rotaciona a mensagem “Chucky’s Mod” –, a máquina tem um processador Intel Core i7 920 com overcloking para 4.0, 6GB de RAM, duas GTX 460 como placas de vídeo e monstruosos 5TB de armazenamento, tudo isso refrigerado à água.

Omar Majzoub, o paulista de 23 anos responsável pelo mod, demorou seis meses para terminá-lo. “O maior motivo da demora foi espera por peças. Muitas são importadas, e algumas demoram 15 dias ou até um mês para chegar”. A obra ficou pronta em dezembro último, e a Campus Party 2011 é a primeira aparição pública dela.

“É muito mais do que eu preciso, mas como eu gosto de tecnologia, gosto de ter uma máquina bem afiada”. De fato, quase me cortei.

Medalha de ouro: HULK ESMAAAAAAGA

Apesar de ser bem menor que o do Chucky, e carregar uma máquina menos potente, o mod do Hulk foi o que mais me chamou atenção. Um boneco muito detalhado do gigante verde carrega todos os componentes nas costas, a céu aberto, amarrados aos seus punhos por duas correntes. Ao contrários dos outros, esse até eu queria ter em casa – e olha que nem sou fã de quadrinhos de herói.

O que o Bruce Banner carrega nessas costas? Um AMD Phenom 2 X-4 Black Edition, com ATI Radeon 5770, 4GB de memória “de alto desempenho” e dois HDs ligados em RAID. “É pra poder baixar essa ‘ruma’ (?) de coisa que rola aqui nessa internet de super velocidade”, me contou Bruno Carvalho, o sergipano de 20 anos, da capital Aracaju, que fez “90%” do mod em dois meses trabalhando nele três ou quatro horas por dia.

Os outros 10%? São a pintura, com a qual ele contou com alguma ajuda de amigos. Nessa onda, perguntei pra ele se um casemod como esses está mais para tecnologia ou para arte. “No meu caso, aqui eu juntei os dois. A arte deu mais trabalho, mas para poder fazer a arte, o cara tem que sacar muito de eletrônica”.

E a sustentabilidade?

Quando se faz um gigante como estas máquinas, a intenção é o poder, não a economia de energia. Mas como este foi um dos temas fortemente explorados pela Campus Party este ano, perguntei ao Bruno e ao Omar sobre o consumo das suas máquinas.

Eles me explicaram que um computador normal usa geralmente uma fonte de no máximo 200W ou 250W, mas gasta ainda menos de 100W se não estiver fazendo nenhuma tarefa muito complexa. Num mod como os deles, o consumo é multiplicado. “Tem fontes de até 1200W, inclusive estou querendo trocar a minha”, disse Bruno, que usa uma de 500W no computador do Hulk.

Já Omar, que tem uma máquina mais “apelona”, usa no computador do Chucky uma fonte de 850W – ele fez questão de frisar que são “850 watts reais”. Pelo menos metade da culpa do apagão deve ter sido dele. Vacilão!