Sim. Pode gritar e espernear à vontade. Ao menos nos EUA, que costuma ditar a tendência mundial, os notebooks estão morrendo. 

Primeiro foi a morte do netbook, e agora os analistas estão fazendo a festa com as declarações do CEO da Best Buy sobre como o iPad está canibalizando as vendas de laptops em 50%



A Morgan Stanley cita que a variação anual de vendas dos notebooks foi negativa, pela primeira vez, neste mês de agosto. Eles chegaram a especificar que "a canibalização pelos tablets — principalmente pelo iPad da Apple (AAPL) — é ao menos parcialmente responsável". 

O tal crescimento negativo não significa que os notebooks não estejam mais sendo vendidos. Nós nem sabemos se a tendência vai continuar em 2011, embora seja provável. Mas o fato é que agora uma tendência. Na verdade a tendência já estava por aí há um tempo. Em 2009, o Wall Street Journal falou sobre como empresas como a Verizon estavam substituindo os seus laptops de campo por Blackberries. Até o fim daquele ano, eles teriam substituído 12.000 laptops por smartphones. 

A notícia agora é que o mercado de laptops no varejo não está mais crescendo, o que confirma a tendência. De fato, o crescimento tem caído consistentemente desde março – mesmo com o fato de novas, mais baratas e mais rápidas máquinas terem sido introduzidas desde então. Os vindouros números de setembro já indicam uma queda de mais 4%. Este é um dos motivos de empresas como Dell, Samsung e HP estarem correndo para chegar logo ao mercado de tablets, antes que a Apple se torne de fato imbatível neste novo mundo da computação. Se você pensa que a HP não tinha esta tendência em mente quando comprou a Palm, você está bastante enganado. 

Isso se chama evolução

E aí, isso significa que os tablets são o fim dos laptops? Talvez seja muito cedo para dizer – mesmo com os números falando alto e claro –, mas sim. São sim. Em algum momento, é isso que vai acontecer. Novos formatos de computação substituem os antigos desde o início da era da informação. 

Há poucos anos, algumas pessoas não acreditavam que o mercado de desktops se tornaria estagnado. Mas isso aconteceu, e hoje muita gente usa apenas laptops. Aconteceu a mesma coisa quando não se acreditava que a linha de comando seria substituída pela interface gráfica de usuário. 

E o mesmo vai acontecer com os tablets. 

Os laptops não vão desaparecer. Nem agora, nem logo, talvez nunca. Assim como os desktops, eles vão sobreviver por anos em diferentes indústrias e com diferentes usos. Mas uma hora eu tenho certeza que eles vão sim sumir completamente, exceto por alguns nichos muito específicos, assim como foram substituídos pelos smartphones em muitas empresas. 

Então você pergunta "o que vai acontecer com o teclado? Eu não consigo escrever em um tablet!" Bem, escrever é o meu ganha-pão, então eu entendo a preocupação. Eu sei que eu vou usar teclados físicos até que eu não consiga mais encontrar um, quando eles forem substituídos por alguma outra forma de entrada de dados melhor. 

Mas pense na imensidade de pessoas que, diferente de mim e provavelmente de você, só encostam num teclado para enviar mensagens como "t vejo la as 5 hein rsrsrsrs bjs", seja por email, Facebook, Orkut e SMS, ou bater papo no MSN com palavras abreviadas e emoticons. Pense na maioria das pessoas, que, fora dos seus escritórios, nunca encostam e nem querem encostar em um teclado. Pense no enorme número de executivos que mal usam computador no trabalho, dependendo apenas do celular para responder emails e marcar reuniões. Acima de tudo isso, pense na maioria dos consumidores que não estão nem aí para computadores. 

É inevitável

Para estas pessoas, os tablets são mesmo o futuro. Porque são realmente tudo o que eles precisam para viver a parte digital das suas vidas: um modo rápido e fácil de ter entretenimento, se comunicar com os outros e acessar as suas memórias. À medida que os tablets forem evoluindo, conectando-se a câmeras, filmadoras, smartphones, impressoras e sistemas de áudio e vídeo, tornando-se centrais em vez de mais uma ponta do sistema, este futuro vai chegar mais rápido e mais forte do que o esperado. Gene Roddenberry estava certo. [Fortune]