Neste feriado, me aventurei em cidades que não têm 3G nem sinal de todas as operadoras. Coisa louca, menino. E lá vi uma quantidade recorde de gente “usando” orelhões como este. É a hora de você falar: “viu, Pedro? Você fica zoando mas no interioR os telefones públicos são importantes, e nunca vão morrer.” E sim, eles nunca vão morrer mesmo. E se parecerem animais, tanto melhor.

Tirei estas fotos divertidas em São Lourenço, sul de Minas. A cidade inteira tinha orelhões em forma de animais típicos brasileiros e, apesar de mais bonitos, não eram usados como você espera. Não que isso tenha algum valor científico, mas fiquei um bom tempo observando e vi que o uso comum era de crianças – meu amigo na foto se comporta como tal – que colocavam o aparelho no ouvido, tiravam a foto e iam embora. Parece que aos poucos os orelhões de cidades pequenas estão tendo o mesmo destino dos esquecidos orelhões das metrópoles: vão sendo trocados por celulares, mais cômodos e às vezes até mais baratos para fazer ligação. Em comunidades bem pobres mesmo,  o estágio “orelhão da praça” pode ser pulado totalmente em favor de aparelhos pré-pagos, como tem acontecido na África. Aliás, vi uma fazenda-pesque-pague na estrada com um “celular público”.

Algumas  operadoras, como a Telefônica, tentam incentivar o uso dos telefones públicos com chamadas gratuitas – ouvindo uma mensagem publicitária antes -, mas considerando todo o trabalho, as limitações e a chatice da mensagem, é melhor pegar o celular de alguém emprestado. Pode funcionar agora, mas não acho que será isso que vai dar a sobrevida aos estimados orelhões. O telefone público pode perder a utilidade local no dia-a-dia, mas tem uma função básica para turistas, mesmo os não-animais. No exterior, ligar de um telefone público usando um cartão de chamadas é bem mais barato que o roaming internacional, por exemplo. E em lugares onde não há sinal da sua operadora, usar o dito pode ser a única opção.

E não é só para turistas que os orelhões valem. Quando o bicho pega (há!), eles são a única opção. No Japão e Nova Zelândia, durante tragédias recentes, o uso dos aparelhos foi liberado, e era de fato a única forma de comunicação com o mundo externo. Em situações menos graves, quando você está na rua e o seu celular está sem bateria (algo cada vez mais comum com smartphones), um orelhão pode ser bem útil. Num futuro próximo, eles serão vistos como os extintores de incêndio dos prédios – nunca são usados, mas sempre estarão lá, para emergências. Se parecerem um tucano, tanto melhor.