Imagine um mundo onde seu cartão de débito fique o tempo inteiro dentro do seu bolso, e você nunca precise tocar em dinheiro. Este é um lugar no qual você não vai precisar lembrar da sua carteira, nem mesmo do smartphone, quando quiser ir até a loja na esquina. É um futuro um pouco distante, mas algumas empresas estão dando os primeiros passos para chegar lá.

Você provavelmente já conhece sistemas de pagamento como o Google Wallet, que usa a tecnologia NFC para a realização de pagamentos com o smartphone. Também existem serviços que usam “geofencing” para registrar que você entrou em uma loja, e depois quando você saiu dela. A última moda, no entanto, não exige nenhum equipamento adicional – ou ao menos nenhum para você carregar: você só precisa do seu rosto. Parece loucura, mas já temos ferramentas para começar a trabalhar nisso.

Pagando com o rosto

Atualmente, são poucas as empresas que usam softwares de reconhecimento facial para todo tipo de transação. O trabalho que elas fazem tem potencial para mudar completamente a sua rotina, assim como vai assustar defensores da privacidade. A Uniqul, uma start-up finlandesa, tem o objetivo claro de criar “o sistema de pagamento mais rápido do mundo”, e nesta semana lançou um sistema de pagamento com base no reconhecimento facial.

O problema é convencer lojas a fazerem um investimento imenso em equipamentos de reconhecimento facial para usar o serviço. E também saber se as pessoas vão permitir que a Uniqul arquive o rosto delas em seu banco de dados de consumidores.

A premissa básica por trás do processo da Uniqul é que você nunca vai precisar fazer mais nada além de ser você mesmo quando for pagar alguma coisa. Nada de carteira. Nada de app para iPhone. Apenas um sorriso – ou uma cara feia, dependendo do seu humor. Você caminha em direção ao caixa onde câmeras detectam seu rosto e comparam com um banco de dados. “No plano de fundo nossos algoritmos estão processando seus dados biométricos para encontrar sua conta no nosso banco de dados enquanto você se aproxima do caixa”, explicou a empresa em um press release. “Toda a transação vai ser feita em menos de cinco segundos – o tempo que normalmente você leva apenas para pegar a carteira do bolso”. A única coisa que você precisará fazer além disso é apertar um botão “Ok” em uma tela.

É difícil ler sobre essa ideia do serviço da Uniqul e não pensar no que você ganha ao pagar com o seu rosto. Por um lado, o método é rápido e não exige nenhum esforço. Você não precisa balançar seu smartphone nem nada. Mas mesmo esse benefício é pouco já que 1) você vai precisar carregar um cartão de débito ou dinheiro para qualquer lugar que não tiver uma loja com leitura facial, e 2) uma transação em cinco segundos é realmente tão vantajosa para você em relação às compras com smartphone, que você precisa balançar o aparelho e digitar um PIN e duram 15 segundos? Por outro lado, o sistema exigiria muito investimento de lojistas para eles equiparem suas lojas com as máquinas de reconhecimento facial. Além disso, tem toda a questão da privacidade. As pessoas que não usarem o serviço vão se sentir confortáveis em frente a um scanner facial, mesmo que ele não esteja funcionando?

Ah, sim, e o serviço não é gratuito. A Uniqul calcula taxas em espaço físico – de €0.99 por mês para terminais em um raio de um a dois quilômetros, a até €6.99 para acesso global – e é totalmente possível que você pague por um serviço que só poderá usar em algumas lojas em lugares diferentes. Lembre-se: pagar com o seu rosto só é divertido quando funciona.

Alternativas

A Uniqul não é a única atrás disso, é claro. Uma empresa dos EUA chamada Diebold está usando a mesma ideia de reconhecimento facial em caixas eletrônicos. O benefício aqui tem muito mais a ver com segurança do que com conveniência. Aqui, em vez de entrar em uma loja e ter o rosto escaneado, você vai até um caixa eletrônico e se conecta à rede através de um código QR no seu smartphone. Em vez de digitar um PIN, você dá um passo para trás para reconhecimento facial, e você está livre para tirar dinheiro. A máquina da Diebold é tão conectada que você não tem recibos em papel. Você recebe os comprovantes por SMS.

Mas, novamente, nem todos se animam com reconhecimento facial. É só lembrar de todo o problema que o Facebook arranhou quando tentou colocar um recurso de reconhecimento facial para facilitar a marcação de fotos. Muitos usuários protestaram, e a Alemanha declarou que o software era ilegal. Então temos aqui um país inteiro que não vai gostar muito do futuro do pagamento com o rosto. Além disso, lojistas e consumidores vão precisar investir tempo e energia para a troca para pagamentos virtuais, sejam eles por reconhecimento facial, NFC ou qualquer outra coisa.

Há um outro caminho, porém. Ironicamente, os bons e velhos humanos podem ser a melhor “tecnologia de reconhecimento facial” disponível. A Square está liderando a corrida com seus recursos de geofencing (pense neles como reconhecimento facial analógico). O novo software Square Wallet sincroniza seu perfil com o software do ponto de venda da loja, e então o caixa sabe quem você é quando você entra com base – isso mesmo – no seu rosto. O GPS e Wi-Fi do seu smartphone também ajudam. E como o sistema registra a sua presença assim que você entra, é possível criar uma experiência de compra personalizada baseada nas suas preferências.

Parece interessante, não? Você ganha a conveniência do reconhecimento facial sem o medo de ter a privacidade invadida por um software de reconhecimento facial. Mas tudo fica um pouco assustador quando você entra em uma loja pela primeira vez na vida e o atendente fala o seu nome. É, o futuro vai ser desconfortável de um jeito ou de outro. Mas lembre-se: ele só vai chegar quando for tão conveniente para lojas como é para você. [Fast CompanyDaily Mail]

Imagem via Shutterstock