Uma cópia em Blu-ray de Police Story 3: Supercop foi destruída em nome da ciência. Acontece que a nanoestrutura do disco Blu-ray o torna especialmente adequado para absorver luz – exatamente o que você precisa em um painel solar.

Um grupo de pesquisadores em Northwestern conseguiu construir painéis solares mais eficientes com base nos padrões do disco Blu-ray. Eles começaram cortando as bordas de uma cópia do filme Police Story 3, de 1992 e estrelado por Jackie Chan, e abrindo o disco. (Dizem que não é um filme tão ruim, especialmente para quem curte uma porradaria em Hong-Kong.) Os pesquisadores estavam atrás da nanoestrutura quase aleatória que codifica os dados no disco. O IEEE Spectrum explica por que a forma com que os dados são armazenados no Blu-ray faz ele, e não outros discos como o DVD, ser tão relevante aos painéis solares:

Os dados binários em um disco Blu-ray completo, por outro lado, tem uma nanoestrutura que é bem diferente. Ela consiste em sequências binárias comprimidas que foram aplicadas com uma modulação de controle de erro, então todos aqueles segmentos de uns e zeros (fisicamente traduzidos em ilhas e buracos na superfície do disco) estão sempre entre dois e sete dígitos de distância. Como o tamanho de um dígito é de 75 nanômetros, um disco completo acaba sendo gravado com um padrão quase aleatório de ilhas e buracos que vão de 150 nm a 525 nm. Essas dimensões são “próximas do ideal” para aprisionar fótons nas porções do espectro visível e quase infravermelho.

Os pesquisadores, então, usaram a face aberta do disco Blu-ray para fazer um molde que foi colado sobre painéis solares, dando a eles o mesmo padrão de nanoestrutura do disco original. Os painéis solares com padrão Blu-ray se mostraram 12% mais eficientes que os convencionais. Ainda que os discos Blu-ray estejam caminhando para sua aposentadoria, certos aspectos da sua tecnologia ainda podem ser reutilizados em novos cenários. [Nature Communications,IEEE Spectrum. Imagem do topo: Alina Cardiae Photography/Shutterstock]