Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, relataram um crescimento de 9.000% no volume de máscaras descartadas entre março e outubro de 2020. Os números aparecem em um estudo publicado na revista Nature Sustainability,

Os cientistas querem, agora, alertar as autoridades para a criação de políticas públicas ambientais que acompanhem as restrições impostas pela pandemia.

O novo artigo é baseado em informações retiradas de dois bancos de dados de código aberto: o Covid-19 Government Response Tracker e um aplicativo de coleta de lixo chamado Litterati. O objetivo dos pesquisadores era relacionar a quantidade de lixo gerada aos bloqueios impostos na época.

Vale prestar atenção na linha do tempo: março foi o mês com restrições consideradas mais severas da pandemia. As pessoas eram incentivadas a ficar em casa e, consequentemente, o volume de máscaras era mais baixo. 

Foi entre junho e outubro que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a necessidade da máscara em situações sociais. Pouco tempo depois, muitos países começaram a reabertura e, como resultado, a quantidade de lixo produzida pelo material aumentou exponencialmente.

De acordo com os pesquisadores, foram coletados dois milhões de fragmentos desse tipo de lixo em 11 países (França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Reino Unido, Suécia, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia). 

A curto prazo, o material contaminado pode servir como vetor viral na transmissão de Covid-19. A médio prazo, pode acabar enredando e sufocando animais marinhos — como as tartarugas. A longo prazo, as partes de plástico podem se deteriorar e se tornar microplásticos, invadindo até mesmo a cadeia alimentar.

“Apesar de milhões de pessoas serem instruídas a usar máscaras faciais, pouca orientação foi dada sobre como descartá-las ou reciclá-las com segurança”, explicou Steve Fletcher, diretor da Revolution Plastics da Universidade de Portsmouth, em comunicado. Sem práticas melhores de descarte, estaremos mais próximos de um desastre ambiental.”

De acordo com os cientistas, houve efeitos positivos para o meio ambiente no início da pandemia, como a melhora da qualidade do ar e da água. Mas isso não basta se o descarte inadequado do lixo não entrar na conta. Os pesquisadores sugerem que as autoridades, ao desenvolver leis como a obrigatoriedade das máscaras, desenvolvam também políticas públicas que orientem a população quanto ao descarte adequado do material.