Uma equipe de pesquisadores da Universidade Luigi Bocconi, na Itália, descobriu que as taxas de natalidade em países ricos diminuíram durante a pandemia. Eles analisaram 22 dos países mais ricos do mundo durante o período de 2016 aos primeiros meses de 2021 e seus resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

No início da pandemia, os especialistas acreditavam que poderia haver um grande baby boom, uma vez que as pessoas passaram a ficar mais em casa e conviver mais tempo com seus parceiros. Por sua vez, os historiadores discordaram, afirmando que, em tempos incertos, as pessoas tendem a adiar as gestações até a situação voltar ao normal.

Em um novo estudo, os cientistas analisaram essas duas hipóteses e descobriram que os historiadores estavam certos — pelo menos quando se trata de países ricos. O trabalho envolveu o estudo de registros de nascimento de 22 dos países mais ricos do mundo e, em seguida, comparou os dados de ano após ano, de 2016 até o início de 2021. Observando que existem variações sazonais conhecidas nas taxas de natalidade, eles também analisaram mês a mês.

Por fim, eles descobriram que as taxas de natalidade diminuíram durante a pandemia, com países experimentando grandes quedas. A Itália, por exemplo, teve queda de 9,1%, a Espanha teve queda de 8,4% e Portugal, de 6,6%. Os Estados Unidos, por exemplo, não viram um declínio, mas os pesquisadores sugerem que pode ter sido porque seus dados só foram válidos até dezembro de 2020.

Os pesquisadores também observaram que as quedas começaram aproximadamente nove meses após o início da pandemia, sugerindo que as pessoas estavam reagindo à súbita instabilidade por escolher não ter filhos.

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Eles também observam que é muito cedo para dizer se a queda será compensada por um mini-boom de nascimentos depois que as condições melhoraram a ponto de as pessoas se sentirem confortáveis ​​com os filhos que adiaram conceber durante a pandemia. Do contrário, pode haver repercussões daqui a alguns anos para a indústria de creches, escolaridade e até mesmo para o mercado de trabalho.