Na última quarta-feira (18), a HYBRIT, uma parceria entre a siderúrgica SSAB, a mineradora estatal LKAB e a estatal Vattenfall, disse ter entregue aço limpo à montadora sueca Volvo. Este foi apenas um teste, mas a empresa planeja aumentar a produção do material para escala comercial até 2026.

“O primeiro aço livre de fósseis do mundo não é apenas um avanço para a SSAB, mas representa a prova de que é possível fazer a transição e reduzir significativamente a emissão de carbono global da indústria siderúrgica”, disse em comunicado Martin Lindqvist, presidente e CEO da SSAB. 

Fazer aço descarbonizado é muito difícil. A maior parte da produção depende do carvão como matéria-prima e também como combustível. A HYBRIT tem trabalhado para construir uma produção mais limpa de aço desde que foi formada há cinco anos, usando energia renovável para produzir hidrogênio e, em seguida, combinando-o com minério de ferro para criar um material poroso chamado ferro esponja (Direct Reduced Iron, em inglês)

A parceria começou a testar o processo, que só havia sido comprovado em escala de laboratório, no ano passado. Em junho, o empreendimento anunciou ter usado com sucesso esse processo em um programa piloto. A Volvo planeja fazer testes com o lote inicial de aço verde, fabricando protótipos de veículos e algumas peças, de acordo com o The Guardian.

Em um mar de novas tecnologias criadas para enfrentar a crise climática, esse avanço é, na verdade, uma grande notícia. O mundo depende do aço para fabricar inúmeros bens — carros, edifícios, navios, materiais cirúrgicos, talheres de cozinha, etc. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o setor de ferro e aço é responsável por 2,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente, sendo responsável por 8% de toda a demanda global de energia e 7% das emissões de carbono relacionadas à energia.

Se a produção fosse um país, ele se classificaria como o quarto maior poluidor de carbono da Terra, espremido entre a União Europeia e a Índia. Se a HYBRIT pode criar aço sem toda aquela poluição, isso significa que outras iniciativas também podem. E isso precisa acontecer, rápido.

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Para cumprir a meta do Acordo de Paris de 1,5ºC, será necessário reduzir as emissões em mais de 7% a cada ano nesta década. O mundo já está ficando para trás nesse ritmo. Embora ainda precise fazer coisas como acabar com a exploração e uso de combustível fóssil, acelerar a produção de aço verde para mais empresas também pode ajudar a colocar as coisas no lugar. Ver tantas estatais envolvidas também é um lembrete de que uma política forte e o apoio do governo são vitais para acelerar a transição.