Há mais de um ano enfrentando a pandemia da Covid-19 e durante a segunda semana de CPI qu discute a resposta do Brasil à pandemia, pela primeira vez o governo brasileiro considera contraindicar o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus, como a invermectina e a hidroxicloroquina.

Para isso, o Ministério da Saúde elaborou um documento junto com especialistas convocados. Nele, o órgão sugere a revisão de novas abordagens no tratamento da Sars-CoV-2. Dentre os medicamentos, as drogas defendidas abertamente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e outros, deixariam de ser usadas no tratamento de pacientes internados com Covid-19.

O texto foi apresentado na semana passada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e recebeu parecer favorável. Agora ele está disponível no site da comissão, aberto para consulta pública e disponível até o dia 27 de maio, quinta-feira. Qualquer pessoa pode fazer a sua contribuição, seja por opinião ou compartilhando uma experiência.

As “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, como são chamadas, indicam que “alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina e cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimab não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”, recomenda documento.

O debate sobre a inexistência de um protocolo único foi levantado em março deste ano pela médica Ludhmilla Hajjar, que recusou o cargo de ministra da Saúde, ao defender que a função do Ministério da Saúde é orientar os médicos sobre a melhor forma de tratar pacientes com coronavírus. Até o momento, o Ministério da Saúde tinha um documento com “orientações” sobre uso de cloroquina e outros medicamentos, elaborado ainda quando o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello fazia parte da pasta. Esse primeiro documento, porém, não tinha passado pela Conitec e era alvo de críticas por conta da falta de estudos que comprovem a eficácia.

Se o parecer for aprovado, de acordo com a Conitec, o relatório com as recomendações, será encaminhado para subsidiar a decisão do Ministério da Saúde acerca do tema.

[G1]