Astrônomos acham que o núcleo de Júpiter é esquisito. Isso poderia ser explicado por uma colisão antiga com outro corpo celeste, que possivelmente tinha um décimo da massa da Terra.

Uma colisão no início da história do Sistema Solar não deveria ser uma grande surpresa, afinal, cientistas depreendem que a Lua da Terra teria resultado de um gigantesco impacto.

Um evento similar pode ser sido responsável por algumas das propriedades inesperadas do núcleo de Júpiter, que parece ser estranhamente pouco denso embora tenha muitos elementos pesados.

A missão Juno, da NASA, que tem orbitado Júpiter, foi capaz de registrar o campo gravitacional do planeta com detalhes suficientes para que os cientistas descubram quais elementos provavelmente existem dentro do gigante gasoso.

Aparentemente, em vez de possuir um núcleo central muito denso com os arredores menos densos, o próprio núcleo pode ser mais difuso, mas com muitos elementos pesados.

Pesquisadores dos Estados Unidos, China, Japão e Suíça se perguntaram como tal planeta poderia ter surgido – suas características vão contra a maioria dos modelos de formação planetária, de acordo com um artigo publicado na Nature. Mas há uma hipótese que possa explicar os resultados: um impacto gigante durante o início da formação de Júpiter.

A ideia é que o sistema solar formou-se de um disco de poeira ao redor do Sol, que uniu-se e se transformou em planetas e outros objetos. Durante esse tempo, um planeta como Júpiter poderia ter crescido rapidamente e, de repente (em escalas temporais cósmicas), exercido muita gravidade nos planetas circundantes.

Talvez, como resultado desse processo, um proto-planeta menor próximo a Júpiter poderia ter colidido com o planeta gasoso – e, de fato, os modelos de formação dos pesquisadores, somando esse colisão, prevê as condições para formação de um planeta que se parece com o que entendem de Júpiter atualmente.

A colisão não teria acontecido a partir um golpe de relance com alguma massa que Júpiter engoliu lentamente, de acordo com o artigo; isso não teria gerado ondas de choque suficientes para perturbar o núcleo de Júpiter. O objeto hipotético teria que colidir Júpiter de frente.

É um hipótese bem provocativa. “Temos boas evidências de que colisões planetárias formaram o sistema solar (a formação da Lua da Terra, a remoção de muitas das rochas de Mercúrio, e potencialmente o deslocamento de Urano)”, disse ao Gizmodo Jonathan Fortney, cientista planetário da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que não estava envolvido com o estudo. “Essa ideia tem muito desse espírito, embora tenha crescido imensamente em tamanho e escala. Imagine algo como Urano ou Netuno colidindo diretamente com Júpiter.”

Mas é apenas uma hipótese. “Não estou convencido (ainda) que essa é a resposta correta para essa questão”, disse Fortney. “Mas podemos adicioná-la à lista de explicações interessantes que precisam ser mais exploradas conforme avançamos.”

Continuar a elaborar cenários é importante para explicar o estranho interior do planeta, disse ao Gizmodo Yamila Miguel, professora assistente do Observatório de Leiden, na Holanda.

Por isso, embora uma colisão enorme não seja algo garantido de ter acontecido, é divertido pensar na possibilidade.