Enquanto o pequeno helicóptero da Nasa voava para seu novo campo de aviação em Marte, podia-se praticamente ouvir o suspiro de alívio da Perseverance a 294,5 milhões de km de distância. O rover tem preparado todos os seus sistemas para funcionar enquanto o helicóptero Ingenuity fazia sua demonstração de 30 dias, mas agora é finalmente hora de começar o verdadeiro propósito desta missão a Marte: a caça a sinais de vida antiga.

A partir do momento em que o rover pousou em Marte, ele estava tirando fotos da paisagem, conhecendo melhor a cratera de Jezero em toda a sua glória rochosa. No início, essas imagens eram granuladas, mas agora as fotos vêm em uma definição cada vez mais alta, e precisam ser: os cientistas da Nasa examinarão as fotos para descobrir com que tipo de rocha marciana estão lidando.

A rocha pode ser sedimentar (concreções endurecidas de minerais formadas ao longo de grandes faixas de tempo geológico) ou ígnea (os resquícios resfriados da atividade vulcânica, que era abundante em Marte). Se as rochas em Jezero se mostrarem sedimentares, isso será uma boa notícia para a busca de fósseis extraterrestres, já que essas rochas preservariam melhor as assinaturas biológicas que indicariam vida antiga. Claro, não há garantia de que tal vida tenha existido em Marte, mas se existiu, a Nasa pretende encontrar qualquer pista que tenha sido deixada para trás.


Imagens de um teste de foco recente feito pelo gerador de imagens WATSON a bordo da Perseverance. GIF: Nasa/JPL-Caltech/MSSS

Depois de toda a animação com o helicóptero Ingenuity, é fácil esquecer o impressionante arsenal de tecnologia de imagem à disposição da Perseverance. Ela conta com a SuperCam, que tem detecção química e dispara laser; o leitor de rocha de raio-x conhecido como PIXL; e o gerador de imagens Mastcam-Z, que tirou todas aquelas fotos dos voos do Ingenuity.

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Mas isso não é tudo. Há também a câmera WATSON na extremidade do braço robótico do rover, que permitirá ao pessoal da Nasa ver de perto as amostras de rocha. WATSON faz parte do SHERLOC (a Nasa adora uma referência interplanetária de literatura vitoriana), que pode examinar as rochas em busca de compostos orgânicos e minerais que indicam como elas se formaram. “Quando você olha dentro de uma rocha, é onde você vê a história”, disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance, em um comunicado da Nasa. “Quanto mais pedras você olha, mais você sabe.”

Uma rocha como vista pela SHERLOC, com cada cor representando um mineral diferente na superfície. Imagem: Nasa/JPL-Caltech

Eventualmente, os cientistas na Terra farão mais do que olhar para as imagens dessas rochas. Parte do propósito da Perseverance é sequestrar as amostras mais intrigantes para eventual envio à Terra para inspeção posterior. Claro, isso ainda está muito longe. O importante agora é que mais um instrumento no rover está funcionando, e a Perseverance está um passo mais perto de sua campanha científica.