Identificar a depressão pode ser muito complicado. Entretanto, os pesquisadores da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) estão colaborando com a Apple em um estudo de três anos para ver se os dispositivos da companhia podem ajudar a revolucionar a forma como a depressão é detectada e tratada.

O estudo, que foi co-projetado por pesquisadores da UCLA e da Apple, tem como objetivo medir o sono, a atividade física, o ritmo cardíaco e as “rotinas diárias” para ver se existe uma correlação entre essas métricas e a depressão e a ansiedade. Para rastrear essas métricas, os pesquisadores utilizarão um iPhone, Apple Watch e um Beddit, um gadget de monitoramento do sono de uma empresa que a Apple adquiriu em 2017.

A ideia é que a depressão e a ansiedade podem estar relacionadas com mudanças fisiológicas. Na melhor das hipóteses, os pesquisadores seriam capazes de identificar o início de um episódio depressivo com base nos dados de saúde de uma pessoa, assim como rastrear se um determinado tipo de tratamento é eficaz.

“Esta colaboração, que aproveita a profunda experiência de pesquisa da UCLA e a tecnologia inovadora da Apple, tem o potencial de transformar a pesquisa em saúde comportamental e os cuidados clínicos”, disse o Dr. Nelson Freimer, professor de psiquiatria da UCLA e principal pesquisador do estudo, em uma declaração. “As abordagens atuais para tratar a depressão dependem quase que inteiramente das lembranças subjetivas dos que sofrem de depressão. Este é um passo importante para obter medidas objetivas e precisas que orientem tanto o diagnóstico quanto o tratamento.”

O estudo é parte do Depression Grand Challenge da UCLA, um programa que encarrega os pesquisadores de várias disciplinas a entender melhor a depressão em termos de diagnóstico, tratamento e como ela pode impactar o corpo. A fase piloto, que começa esta semana, envolverá 150 participantes. Isso então irá aumentar até cerca de 3.000 participantes durante a parte principal do estudo, que acontecerá de 2021 a 2023.

Este tipo de estudo é encorajador. Os dispositivos vestíveis (wearables) – e outras engenhocas – só fizeram avanços no campo da saúde nos últimos anos. No entanto, os estudos clínicos têm se arrastado um pouco nesta categoria como um todo, levando a uma lacuna no apoio à pesquisa e, às vezes, a campanhas de marketing exageradas.

A Apple tem sido uma das empresas mais pró-ativas quando se trata de colaborar com pesquisadores médicos. Além de seu Estudo do Coração com Stanford, a Apple lançou mais três estudos com o Apple Watch Series 5. O Apple Watch é também um dos vários relógios inteligentes que estão sendo usados atualmente para estudar se os vestíveis poderiam detectar COVID-19. Adicionar a depressão ao mix é uma progressão lógica.

Dito isto, é importante enfatizar que esta ainda é uma pesquisa em estágio inicial. O Apple Watch – e outros smartwatches – não são dispositivos médicos. Eles não afirmam diagnosticar nada, e qualquer potencial recurso futuro voltado para o consumidor pode ter que passar pelo longo processo de aprovação da FDA e outras agências como a Anvisa. Ainda assim, fazer a pesquisa é bom e necessário, especialmente se os vestíveis quiserem desempenhar um papel maior no avanço da tecnologia da saúde.