Ao estudar pinguins, você precisa se preparar para uma surpresa: o gás de riso que o cocô deles produz.

Pesquisadores da Dinamarca e da China estudavam os efeitos das geleiras em retração e do aumento de pinguins nos níveis de gases do efeito estufa na Ilha Geórgia do Sul. Acontece que a mudança climática está dando início a um ciclo, em que o influxo de pinguins leva a mais cocô de pinguim e, portanto, ainda mais gases de efeito estufa e mais derretimento de geleiras. Mas há outra consequência: para estudar isso, os cientistas acabam respirando muito óxido nitroso, também conhecido como gás do riso.



“Depois de ficar com o nariz no guano por várias horas, a pessoa fica doidona. Alguns também começam a se sentir mal e a ter dor de cabeça”, disse à AFP o autor correspondente do estudo, Bo Elberling, do Center for Permafrost da Universidade de Copenhague.

A Ilha Geórgia do Sul é uma ilha fria e nublada localizada no Atlântico Sul, um pouco ao norte do Círculo Antártico. Nos últimos 50 anos, as geleiras da ilha recuaram; seu Glaciar Heaney recuou um quilômetro desde 1993, de acordo com o artigo publicado na revista Science of the Total Environment.

A localização da ilha a torna um local privilegiado para pinguins. Ela hospeda a maior população de pinguins-rei do mundo, com cerca de 300.000 aves reprodutoras. À medida que a geleira recua, os pinguins avançam para o interior.

Mas mais pinguins significa mais cocô de pinguim, que deposita óxido nitroso e dióxido de carbono, ambos potentes gases de efeito estufa, no solo.

Os pesquisadores coletaram amostras do solo em cinco locais entre a frente da geleira e a costa. Essas amostras foram depois analisadas no laboratório. O solo do local mais próximo da colônia de pinguins tinha significativamente mais óxido nitroso — que pode fazer os humanos se sentirem relaxados e eufóricos — do que os outros locais.

O cocô de pinguim em si não contém gás de riso. Em vez disso, o nitrogênio no cocô entra no solo, onde o solo o transforma em óxido nitroso, disse Eberling à AFP.

Toda essa análise levou os pesquisadores a concluir que as colônias de pinguins são pontos críticos para as emissões de gases de efeito estufa, particularmente para o óxido nitroso, um dos mais potentes deles. É possível que a quantidade de gás vá aumentar à medida que os pinguins se moverem para o interior da ilha.

Este estudo não está sugerindo que façamos algo para reduzir o número de pinguins, já que a quantidade de gases de efeito estufa que eles produzem é insignificante em comparação com o resto do mundo. Ainda assim, é uma maneira interessante de a mudança climática causada pelo homem estar alterando os ecossistemas.

De qualquer forma, eu queria dar um pulinho naquela ilha. Deve ser muito legal ver uma das criaturas mais carismáticas da natureza e ter um barato ao mesmo tempo.