Em um esforço para ajudar a evolução da ciência de rastreamento de contato, os pesquisadores criaram um vírus de celular virtual que visa “imitar” a disseminação da Covid-19. Ao “infectar” telefones em um ambiente controlado, os pesquisadores esperam obter uma melhor compreensão das trajetórias dos vírus à medida que se proliferam em uma determinada população.

Acadêmicos de várias universidades – incluindo o MIT, Cornell e várias outras faculdades na Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia – estão por trás do novo projeto, que busca criar uma maneira rápida, com foco na privacidade, de simular a disseminação da Covid-19 e, se possível, rastreá-la.

Batizado de “Safe Blues”, o vírus virtual foi projetado para ser injetado nos pacotes de software de aplicativos de rastreamento de contatos existentes para coletar dados sobre as interações dos usuários com outras pessoas. Esses dados podem ser coletados em tempo real e, ao contrário dos programas tradicionais de rastreamento de contatos (que exigem altas taxas de participação para serem bem-sucedidos), ele “exigiria que apenas cerca de 10% de uma determinada população utilizasse a fim de fazer previsões precisas”, disseram os pesquisadores.

Funciona da seguinte forma: o Safe Blues usa “tokens semelhantes a vírus” (também chamados de “strands”) que são espalhados aleatoriamente entre dispositivos móveis via Bluetooth, de forma a simular a proliferação do vírus biológico. Os dados anônimos dessas interações podem então ser enviados de volta aos servidores controlados pelos pesquisadores, mostrando como as infecções podem se multiplicar organicamente. Idealmente, os autores do estudo dizem que o “Safe Blues” lhes daria “estimativas em tempo real da população do nível de proximidade física e projeções da epidemia em um futuro próximo”.

Como outras soluções de rastreamento de contato, trata-se menos de estudar o comportamento do vírus do que da população que o espalha. Em uma visão geral do projeto publicada recentemente, os pesquisadores observam que:

…o comportamento da população está mudando rapidamente devido a medidas de distanciamento social sem precedentes, e é difícil de observar e prever. Como consequência, atingir estimativas precisas em tempo real…[do] número esperado de indivíduos infectados por uma pessoa infectada é uma tarefa difícil.

“Nossa análise de simulação inicial sugere que os dados do Safe Blues podem ajudar a melhorar as previsões de infecção por Covid-19 na população assintomática”, afirmam os autores.

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O programa está apenas no estágio de desenvolvimento, por enquanto. Os pesquisadores estão atualmente trabalhando no lançamento de um programa piloto na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, onde o vírus pode se espalhar com segurança dentro do ambiente controlado de um campus universitário (antes de ser, presumivelmente, solto na natureza, se isso realmente ocorrer).