Muito se discutiu em diversos momentos da história recente da aviação sobre a instalação – ou não – de câmeras no cockpit dos pilotos. Para, em caso de acidente, as autoridades e companhias aéreas terem uma forma de analisar o que se passou no comando da aeronave que levou ao acidente. Mas os pilotos se recusam a aceitar. Por que?

Bem, de maneira bem simples, eles alegam que isso pode violar a sua privacidade. Ninguém pode garantir que essas imagens não caiam nas mãos erradas, ou que de fato sejam usadas apenas em casos extremos. E nem há como garantir que as imagens capturem exatamente o que aconteceu, como disse Doug Moss, um antigo piloto de testes à Wired: “O que a câmera consegue capturar pode facilmente ser mal interpretado ou violado.”

As primeiras tentativas de incluir câmeras no cockpit datam da virada do milênio. Em 2000, nos EUA, a National Transportation Safety Board, agência responsável por segurança em voos, sugeriu que as imagens em vídeos “poderiam fornecer informações críticas para investigadores sobre as ações dentro do cockpit imediatamente antes e durante um acidente.” Por elas seria possível saber, por exemplo, se um passageiro louco invadiu a cabine de comando, ou se o piloto desmaiou e deixou a nave sem controle. Mas a proposta foi arquivada anos depois – em 2009 – por pressão de pilotos.

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Além da questão da privacidade, eles também acreditam que isso pode tirar um pouco da autoridade do piloto dentro da aeronave. “Imagens em vídeo podem ser, aparentemente, facilmente interpretadas por leigos, mas, na verdade, as ações de piloto e tripulação em cockpits só podem ser corretamente interpretadas por outro piloto treinado”, defendes Moss à Wired.

Os pilotos nunca estiveram sozinhos na batalha contra as câmeras em cockpits. Empresas aéreas também não são a favor da medida – afinal, isso custará dinheiro para eles, já que precisarão instalar as câmeras em suas aeronaves e investir em novas tecnologias de segurança.

Até agora companhias aéreas e pilotos estão vencendo a disputa, mas não dá para dizer que nunca teremos câmeras no cockpit. Afinal, como lembra a Wired, os pilotos também se posicionaram contra a gravação do áudio na cabine de comando, e hoje em dia é algo bem comum. Em casos como o voo MH370, talvez as câmeras não ajudassem em nada – afinal, o avião precisa ser encontrado para autoridades terem acesso às imagens – mas em muitos outros elas poderiam ser mais um objeto a ser analisado na tentativa de explicar como as coisas saíram errado com aquela máquina enorme e voadora. [Wired]