Depois do primeiro susto, fica ainda pior: uma pílula coberta com agulhinhas que são injetadas no seu intestino. Mas os cientistas do MIT e do Hospital Geral de Massachusetts que desenvolveram a cápsula dizem que estas microagulhas podem ser um novo (e indolor!) método de administrar medicamentos. E sem picadas!

Num artigo publicado no Journal of Pharmaceutical Sciences, a equipe descreve sua cápsula acrílica de 2 cm de comprimento, abastecida com insulina e revestida com agulhas ocas de aço inoxidável de 5 mm de comprimento. As microagulhas são pequenas demais para causar qualquer dano ao intestino. Uma versão inicial da cápsula já foi testada em porcos, que receberam a insulina sem sofrer qualquer efeito colateral visível.



Eu não sei quanto a você, mas a ideia de engolir e depois defecar uma pílula espinhosa ainda me assusta. Felizmente, os pesquisadores têm algumas ideias para tornar o protótipo mais seguro e menos assustador. As agulhas, por exemplo, podem ficar cobertas por um escudo sensível ao pH, que se dissolveria apenas depois de passar pelo estômago e chegar no intestino. Em vez de agulhas ocas de metal, eles poderiam usar também microagulhas solidas feitas à base de açúcar com a droga já embutida. Talvez eles consigam fazer a cápsula ficar ainda menor, também.

Além de administrar insulina, a cápsula poderia também ser usada com outras drogas, como anticorpos, que são proteínas grandes usadas geralmente para tratar condições autoimunes. Estes remédios tem que ser injetados no sangue pois se desintegram no sistema digestivo. Algum dia, quem sabe, poderemos contrabandeá-los diretamente para o trato digestivo e injetá-los por lá mesmo. [MIT]