Os próximos smartphones da linha Pixel, do Google, podem ser os primeiros da empresa com chips próprios, chamados internamente de Whitechapel “GS101”.

De acordo com documentos obtidos pelo site 9to5Google, o nome Whitechapel é usado em conjunto com o codinome “Slider”, uma referência ao aplicativo Câmera do Google. De acordo com a publicação, parece provável que o Slider seja uma plataforma compartilhada para o primeiro SoC Whitechapel, e o “GS” no apelido “GS101” pode se referir a “Google Silicon”.

Além disso, o Slider está ligado à Samsung e à Samsung Exynos, linha de processadores próprios da marca coreana. Então, é possível que o Whitechapel compartilhe alguns aspectos com esses chips, incluindo componentes de software. Os primeiros aparelhos construídos na plataforma Slider, o “Raven” e o “Oriole”, que o 9to5Google também vazou no ano passado, serão lançados no segundo semestre, presumivelmente como Pixel 6 e Pixel 5a.

Em abril do ano passado, o Axios informou que o Google estava trabalhando com a Samsung para projetar o Whitechapel, um processador ARM de 8 núcleos para rivalizar com os chips ARM da Apple e da Qualcomm. Os chips do Google devem estrear nos smartphones da marca, mas a empresa também pode começar a usá-los em seus Chromebooks e Pixelbooks. Atualmente, o Google usa processadores Intel Core até o i7, mas outros fabricantes de Chromebooks começaram a adotar o Ryzen da AMD feito especificamente para notebooks desse tipo.

Tudo isso parece estar em linha com o anúncio recente em que a empresa disse que estaria “dobrando” seus esforços de chips personalizados.

“Em vez de integrar componentes em uma placa-mãe onde eles ficam separados por centímetros de fios, estamos nos concentrando em projetos de ‘sistemas em chip’ (SoC), onde várias funções ficam no mesmo chip ou em vários chips dentro de um pacote. Em outras palavras, o SoC é a nova placa-mãe”, escreveu Amin Vahdat, vice-presidente de infraestrutura de sistemas do Google.

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No mesmo anúncio, a empresa também disse que contratou Uri Frank como seu vice-presidente de engenharia para design de chips para servidores. Frank trabalhou anteriormente na Intel por mais de 20 anos, 10 dos quais foram dedicados ao design de SoCs. O perfil de Frank no LinkedIn não especifica quais projetos Intel SoC ele liderou, mas parece que ele trabalhou no Ice Lake SP SoC da Intel e na terceira geração do Xeon, seu processador para servidores. O Google também está trabalhando em seus próprios SoCs de servidor, então faz sentido trazê-lo para liderar esses projetos. Mesmo assim, pode haver algum cruzamento de experiência entre servidores, smartphones e Chromebooks.

Rumores de chips personalizados do Google remontam a 2015. O Whitechapel já demorou muito e, seis anos depois, finalmente parece que vai finalmente se tornar realidade.