Acaba de ser confirmado: o PS3 brasileiro chegou, enfim! Mas o preço…

Depois de ter sido prometido para o primeiro semestre e atrasar um pouco, o "nosso" PS3 chega hoje às lojas – inicialmente apenas as Sony Style –, por R$ 1.999 pelo modelo Slim de 120GB. Haverá garantia de um ano e uma estrutura de suporte nacional. O console não está sendo fabricado no Brasil, mas curiosamente o cabo de força sim (o Inmetro é rigoroso com as especificações elétricas particulares do nosso país).  

Quem deu a informação primeiro foi o Gamer.br, blog do grande Pablo Miyazawa ontem, em uma entrevista com Anderson Gracias, o chefão da divisão PlayStation da Sony no Brasil. O papo rendeu diversas informações interessantes para quem acompanha o nosso sofrido mercado de games e merece ser lido na íntegra, mas se você está só de passagem, pode ler alguns destaques aqui mesmo:

Sobre "legitimar" o consumidor que já possui o PlayStation:

"Acho que há formas de se conseguir isso. Tem uma questão educacional, e ela é muito difícil, demorada e custosa. Convencer o consumidor de que ele precisa parar de comprar um jogo a R$ 5 e comprar o mesmo jogo a R$ 50… Até você mostrar a ele os benefícios, e educá-lo de que aquilo faz bem para o país dele e para as gerações futuras, ou seja, para os filhos dele – isso é muito complicado. Então a gente tem que identificar a pequena porção de clientes que está disposta a ouvir essa história e que tem um nível de consciência compatível com o que a gente pretende fazer. Mas é muito difícil."

"[Ações que podemos tomar:] Por exemplo, me deixe bloquear seu console novamente, e com isso eu lhe proporciono descontos gradativos em jogos. Ou eu volto a te dar uma garantia do console que você trouxe de fora… Ainda estamos pensando em tudo o que for possível. Talvez legitimar seja o mais difícil a ser feito, então temos que pensar em todas as alternativas para isso."

Sobre PSP:

"O PSP vai acontecer. A Sony está trabalhando nas certificações agora, tem Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] rolando. Passando por essa fase de certificação, ele estará pronto para ser viabilizado no país. (…) O PSP está nesse processo. O Playstation 3 já foi."

Peculiaridades do nosso modelo: 

"Tecnicamente não posso detalhar, mas houve adaptações, principalmente na questão da energia. Porque o teste feito no Brasil é muito mais exigente. A Anatel é exigente nessa questão – se não me engano, ela aplica 2 kVs de pico de energia e o produto tem que resistir – ele não pode colocar em risco a sua infraestrutura domiciliar. Então, tivemos que fazer mudanças.

(…)

Resumindo, o produto brasileiro não terá montagem por aqui: ele vem lacrado, já preparado com essa homologação, ou seja, sai de sua origem já com o selo da Anatel. O cabo a gente fabrica por aqui. E ele vem com a embalagem e manual em português e o cartão de garantia da Sony Brasil. A única mudança que fazemos na localização é a troca do cabo original pelo cabo homologado pelo Inmetro. E o produto brasileiro também tem um selo holográfico, para realmente diferenciar o produto daqui do não-oficial."

Sobre a preparação do varejo:

"A gente está atuando em parceria com os varejistas, para que eles possam vender o estoque que têm e começar logo a trabalhar com o produto oficial da Sony Brasil. Muitos dos varejistas não sabem que aquele produto que está no estoque não está em conformidade com a regulamentação local. (…) Estamos passando agora por essa etapa, de preparar o varejo. E isso inclui preparar a loja. Como é que está o PlayStation no mercado brasileiro? Você vai a uma loja grande e encontrará o videogame dentro de um balcão, trancado e com um vidro na frente. Absolutamente nada de “hands-on”, nenhum trabalho adequado para o consumidor gamer… E o que seria isso? A possibilidade de testar o jogo dentro da loja. Estamos fazendo investimento em displays, espaços PlayStation com o produto ligado a um LCD, ou home theater, com uma variedade de jogos e acessórios. O consumidor entra e pode experimentar, se conectar e tudo o mais. É justo mostrar tudo isso dentro da loja. O consumidor brasileiro merece esse respeito."

Sobre o preço:

"Esse é um dos grandes desafios. Vamos fazer de maneira extremamente transparente. A gente vai mostrar porque o nosso produto custa mais caro."

Sobre os impostos e o potencial de resultado de iniciativas como o Jogo Justo:

"Se o imposto for revisto, ou se o videogame for reclassificado para outra categoria, certamente [o consumidor perceberia uma diferença na hora]. Porque falar sobre “redução” em ano de eleição é pedir para encerrar qualquer reunião [risos]. Falar em reclassificação é o approach mais adequado. Meu produto não é um jogo de azar, é um produto de entretenimento familiar. Essa é a diferença. Repetindo: o consumidor perceberia imediatamente. (…) o grande vilão é o imposto, sem dúvida alguma."

O Giz deseja sorte e sucesso para a divisão PlayStation da Sony Brasil. Isso é, esperamos que ela entenda melhor o mercado que está entrando, o que é um preço justo e, aí sim, tenha o sucesso merecido. Esperamos também que o preço de outras grandes lojas, como Americanas ou Fnac, que vendiam o PS3 bem abaixo disso, não seja afetado pelo preço da Sony Brasil – as pessoas devem ter a opção de comprar com nota fiscal e tudo ou pagar 40% a mais para ter garantia e cabo de força nacionais.

 E você, estava esperando para comprar um PS3 dentro dos conformes da República Federativa do Brasil ou já faturou o seu por bem menos?