Não se esqueça de levar o seu guarda-chuva mais resistente quando viajar para o planeta WASP-76b, onde pode, literalmente, chover ferro fundido.

Os chamados Jupiters quentes representam os mundos mais infernais da galáxia, dando pistas aos cientistas sobre os diversos climas planetários e a química atmosférica que podem surgir em condições extremas. Uma nova análise do exoplaneta WASP-76b demonstra climas diurnos e noturnos muito diferentes – dias super quentes e sem nuvens que levam à chuva de ferro durante a noite.

Os pesquisadores de observatórios de todo o mundo recolheram dados sobre o exoplaneta quase do tamanho de Júpiter entre 2 de setembro e 30 de outubro de 2018, utilizando o Echelle Spectrograph for Rocky Exoplanets and Stable Spectroscopic Observations (ESPRESSO) do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul.

Esse instrumento utiliza espectros, o que significa que os pesquisadores podem usá-lo para descobrir a composição elementar da estrela em uma resolução relativamente alta. O planeta orbita incrivelmente perto da sua estrela mãe de 2.419 °C, completando um ano em apenas 1,81 dia.

A equipe calculou uma temperatura diurna de 2.419 °C. Em seguida, tentaram criar um modelo que explicasse os dados observados. Eles detectaram um estranho sinal de átomos de ferro, que parecia absorver energia durante o dia, mas não na transição entre o dia e a noite, de acordo com o artigo publicado na Nature.

E o que estava acontecendo? As temperaturas muito quentes despedaçam as moléculas na superfície desses planetas, que têm temperaturas semelhantes às das estrelas frias. Os átomos dissociados ficam lentos devido às forças eletromagnéticas entre eles, o que significa que o calor se move mais lentamente, criando uma grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas. No lado noturno, o planeta seria muito mais frio, talvez dois terços da temperatura diurna, e ali o ferro poderia condensar-se nas nuvens e talvez até mesmo chover.

Esse trabalho é um modelo que tenta explicar os dados, e os modelos se baseiam em suposições humanas e, portanto, nem sempre são corretos. Os autores do estudo não responderam ao pedido de comentários de Gizmodo.

Mas tal caos não seria surpreendente num planeta como esse. Já escrevemos sobre como eles despedaçam as moléculas de hidrogênio e água, vazam metal pesado, e parecem “inchar” com o tempo. Faz sentido que nesses mundos também chova ferro. Sem contar que é uma boa ideia para para autores de ficção científica.