Mês passado a Agência Espacial Europeia aterrissou em um cometa a 480 milhões de quilômetros para colher amostras que poderão ajudar a revelar as origens do nosso sistema solar. Tudo indica, porém, que partes de cometas também estão disponíveis bem mais perto de casa. Cientistas acabaram de descobrir poeira de cometa preservada nos domínios gelados da Antártida.

Por que todo esse “oba, oba” com cometas? Esses pedaços de rocha e gelo são algumas das coisas mais primitivas do espaço, são como cápsulas do tempo dos primeiros dias do sistema solar. Conhecer a composição química dos cometas nos dará pistas para todos os mistérios históricos, como se os cometas que atingiram a Terra ajudaram a semear a água e as moléculas orgânicas que tornam a vida possível. O único problema é que é difícil chegar neles. São meio arredios, esses cometas.

Aterrissar em um é, infelizmente, um tipo de missão única para cada geração. Normalmente, os cientistas coletam “partículas de poeira de condritos porosos interplanetários”, ou poeira de cometa por aeronaves, voando na estratosfera com placas revestidas com óleo de silicone. É pouco eficiente. “Muitas horas de voo costuma resultar em uma partícula de poeira,” explica a Science.

A descoberta de poeira de cometa preservada na Antártida promete uma fonte totalmente nova desse precioso material. Pesquisadores da Universidade de Kyushu derreteram amostras de gelo e neve de duas áreas da Antártida e acabaram com mais de 40 partículas de poeira de cometa. De acordo com a Science, outra equipe havia encontrado partículas de cometa estranhamente densas na Antártida em 2010, mas os cientistas jamais esperaram que poeira convencional, que é mais frágil e porosa, pudesse existir na Terra.

Esses fragmentos microscópicos dos cometas, que sobreviveram todo esse tempo na Antártida, podem ter algumas histórias bem longas para contar sobre a Terra, o sistema solar e como chegamos até aqui. [Science,Earth and Science Planetary Letters. Imagem do topo: Takaaki Noguchi]