Após passar um bom tempo com o HTC Titan na mão, eu estava decidido: meu próximo smartphone não seria um Android com Ice Cream Sandwich, nem um iPhone 5 com iOS 5. Seria um Windows Phone 7 com Mango e, de preferência, seria o titânico aparelho que a HTC exibiu durante a IFA. Mas provavelmente não será, porque ele será apenas um sonho distante.

Parte de minha confiança em relação ao Titan é a mistura de um smartphone flagship da HTC com o Windows Phone 7 Mango. Depois de passada a sensação de “há algo de novo” que o primeiro WP7 trouxe, o Mango é o próximo passo, o caminho natural de um sistema que foge dos padrões atuais. A atualização mantém o esquema gráfico interessante de tijolos, mas molda e otimiza o SO de forma incrível.

O WP7 com Mango traz aquela sensação quase assustadora de que o sistema parece já saber onde você irá encostar antes de você fazer o ato. É como se ele tivesse uma bola de cristal e apostasse, com 100% de eficiência, em seus movimentos. Mas, na verdade, é a velocidade do sistema, que lembra os melhores momentos do iOS — toque e chegue onde você quer instantaneamente, retorne em um passo e conviva em um software integrado, cheio de aplicativos pré-instalados que valem a pena de verdade para o usuário. Até o Internet Explorer é rápido!

E lançar um sistema redondo assim requer o hardware mais atual para mostrar de fato o poder do sistema. E nada melhor do que ganhar um aparelho topo de linha da HTC para fazer o serviço. Assim como o sistema, o HTC Titan é o que há de mais atual e interessante. Assim como os aparelhos mais recentes da Samsung, o Titan tem tela gigantesca (4,7 polegadas) que nem parece tão grande assim por causa de sua espessura de 9,9 milímetros e pelo peso de 160 gramas. A resolução, porém, poderia ser maior — 480 por 800 pixels não é o que há de mais atual no mundo.

Mas há um processador de 1,5 GHz, uma câmera de 8MP e um acabamento externo em aço escovado que é uma obra prima. Os 512MB de memória RAM soam estranhos — a HTC já tem Androids com 1GB — mas a sensação é que o WP7 talvez não precise de 1GB para rodar liso, e isso economiza um bocado na hora de produzir o aparelho.

Talvez a tela do Titan seja um pouco demais para mim, mas os blocos do WP7 ficam tão belos em uma tela assim que é difícil resistir. E, pensando no que há no mercado e no que está por vir em breve, escolhi o Titan como meu próximo smartphone. Seria minha próxima compra. Seria.

Seria porque infelizmente o aparelho junta dois mundos que mal existem no Brasil: o Windows Phone 7 deve ser anunciado até o fim do ano, mas não sabemos ainda quais serviços estarão disponíveis no país. O sistema só é coerente e completo em parceria com o Zune Pass, a Xbox Live e outros pequenos mimos e serviços que não existem por aqui, como o Bing em sua forma completa — que, no mundo móvel, é bem mais atraente do que o Google.

E, do outro lado, temos a HTC, empresa que aparentemente não vê com bons olhos o mercado nacional e costuma lançar um aparelho defasado por ano. Há a expectativa de que eles anunciem algumas novidades para o final do ano, mas eu não apostaria nem uma moeda na possibilidade da chegada do aparelho por aqui.

Ou seja, o aparelho dos meus sonhos basicamente requer que eu mude de país para usufruir de todas as suas capacidades. Eu espero, de coração, que o Windows Phone 7 chegue ao Brasil completo. Eu cansei de aplicativos alinhados. De páginas iguais lotadas de pequenos apps. De sistemas dominantes tão semelhantes. Eu quero algo novo, e o WP7 é esse algo novo. Mas não posso confiar na HTC brasileira.

O que me dá uma nova possibilidade: confiar muito no Sea Ray, smartphone topo de linha da Nokia com WP7. Provavelmente ele chegará por aqui. E pode ser o novo sonho de consumo de muitos.