Um nova série de estudos dos matemáticos do site de namoro OKCupid revela que usuários ferrenhos do Twitter costumam ter relacionamentos de dez a quinze por cento menos duradouros do que quem não usa o serviço. Isso faz sentido. O Twitter pode nos tornar parceiros mais chatos e rasos.

Entre todas as idades, os dados – obtidos entre os mais de 800.000 usuários do site – mostram uma considerável diferença para baixo na duração média dos relacionamentos de quem usa o Twitter diariamente. O que isso pode significar? Será que um estilo de vida vapt-vupt-oi-te-amo-fica-comigo-agora-tchau-até-nunca-mais combina mais com o interlocutor de 140 caracteres? Ou será tão simples quanto a conclusão de Christian Rudder, cofundador do site, de que “pessoas que twittam vivem suas vidas em pequenas doses”? Bom, isso faz parte. Mas não é o bastante.



Sim, a internet provavelmente está detonando o nosso foco e capacidade de prestar atenção em algo por muito tempo. E aqueles que estão acostumados a se expressar (e absorver os pensamentos dos outros) em pequenos fragmentos podem ser parceiros estatisticamente mais frustrantes que os que, sei lá, escrevem longas cartas um para o outro. Mas há um outro lado nessa história. Tudo o que você usa todos os dias te transforma. Gradualmente, sim, sutilmente, sim, mas profundamente.

O Twitter, apesar de ser muitas vezes uma ferramenta de utilidade incrível, é basicamente uma sociedade que se move ao redor de vaidade e carência. Nós jogamos nossos tweets em um abismo, esperando, torcendo, maniacamente, sermos percebidos. Sermos retwittados. Sermos seguidos. O “efeito placar” de quantificar a nossa popularidade através dos números exibidos pelo Twitter (e também por serviços como o Favstar e o Twunfollow, cada vez mais mais populares) torna tudo mais viciante. Quanto mais autoafirmação queremos, mais precisamos – mais seguidores, mais retweets, mais respostas, mais atenção. E assim, continuamos lançando frasezinhas espertas e trocadilhos rápidos em direção a uma massa anônima, esperando sermos notados e apreciados do modo mais superficial possível. Os diálogos genuínos, pessoais e interessantes que ocorrem no Twitter são a exceção, não a regra. É só perguntar ao John Mayer, que aparentemente foi dispensado pela Jennifer Aniston pelos seus incessantes tweets.

Será que deveria ser surpreendente que as pessoas que cultivam esse hábito podem estar se condicionando a ser pessoas piores dentro de uma relacionamento amoroso de qualquer espécie? O que queremos em um parceiro? Reciprocidade. Atenção mútua, respeito mútuo, apreciação mútua. E diálogo. O Twitter, pela própria natureza, é a antítese dessas coisas. Unidirecional, frio, raso.

Para quem estiver pensando “uou, vai com calma aí, campeão”, é claro que o Twitter por si só não vai destruir o relacionamento de ninguém, ou impedir alguém de conseguir um relacionamento saudável. E a diferença de tempo médio de relacionamento não foi maior do que 10% entre os usuários e não usuários do serviço do passarinho azul – algo que pode ser considerado dentro da margem de erro. Mas, à medida que o Twitter vai se tornando uma parte absolutamente “normal” da vida de tantos de nós, acredito que seja importante pensarmos sobre como ele está alterando os nossos cérebros – porque, numa boa, resultados como os dessa pesquisa já não são nem surpreendentes a esta altura. [OK Cupid via DailyBeast]