Esta é a capa para a edição atual da revista Wired, talvez a mais importante revista centrada em tecnologia do mundo. A moça na capa não é apenas uma modelo no sentido tradicional: Ela é Limor Fried da Adafruit Industries, e muito provavelmente a primeira mulher engenheira a estampar a capa da Wired. E ela está bonita. Então, algumas pessoas começaram a surtar.

Por que eles surtaram? Bem, aqui está o que a revista GOOD imediatamente divulgou:

A Wired não colocou Limor Fried em sua nova capa. Como Fried realmente se parece está abaixo – ela é uma jovem mulher normal com um piercing labial e um cérebro muito acima da média e isso foi o que fez maravilhas para ela durante toda sua vida. O que a Wired colocou na sua capa é um Photoshop quase cartunesco que fez com que um amigo olhasse essas fotos lado a lado e perguntasse, “É a mesma mulher?”

A foto da GOOD mostrando “como ela realmente se parece” é na verdade “uma foto com mais de 3 anos de mim no Japão, depois de um vôo de 20 horas e cabelo curto,” disse Fried nos comentários do post original da GOOD. Ela adiciona:

A capa está estilizada, mas é assim que eu realmente sou. Eu não estou “plastificada” ou “com toneladas de Photoshop”. Se eu tirar meus óculos, arrumar meus cabelos, e usar maquiagem, é assim que eu fico.

Ok tem bastante coisa acontecendo nessa confusão. Primeiro, como a GOOD aponta, a maior razão pela qual eles chegaram à conclusão que Fried foi Photoshopada a ponto de não ser reconhecida é que bem, a indústria de revistas faz isso com bastante frequência. O que é ruim, por muitas razões – promover padrões de beleza irreais, etc., que o Jezebel explica com mais detalhes aqui. (Fried acrescenta que o fotógrafo meramente “usou luz e maquiagem para criar uma aparência mais acetinada” que é sua marca registrada; a foto também faz referência à Rosie a Rebitadora, como centenas de pessoas notaram.)

Mas, mais interessante é o que isso diz sobre a maneira que mulheres muito inteligentes são percebidas. O que está implícito no ultraje da GOOD é o pressuposto que Fried, engenheira incrível e brilhante, não poderia ser tão atraente quanto ela parece na capa da Wired. A mensagem oculta é que tem que haver uma distância entre cérebro e beleza. Considere qualquer artigo que se maravilha em cima do fato que Natalie Portman não é apenas uma celebridade atraente, ela é tipo, inteligente. A narrativa cultural geral para mulheres atraentes que são reconhecidamente inteligentes é quase sempre de surpresa, de uma maneira ou de outra – é chocante que uma mulher atraente seja inteligente, ou que uma mulher inteligente seja atraente.

A resposta cultural para mulheres que gostam de coisas nerds – ou que são, bem, nerds – tende a ser exaltadas, mesmo – se não especialmente – entre companheiros nerds. Tanto no exemplo acima, onde o fato que a pessoa é uma mulher e legitimamente nerd não pode ser conciliado – como elas podem ser as duas coisas! – ou a respeito da completa sexualização (no caso, elas não podem ser nerds, nem mesmo pessoas reais). E neste último caso, a resposta pode ser terrivelmente feia. (Ou você pode simplesmente ler um tópico do Reddit sobre a Olivia Munn.)

Por que prestar atenção no fato que elas são mulheres então? Nós não podemos apenas ignorar os gêneros? Isso seria uma saída elegante, exceto pelo real problema perfeitamente ilustrado pelo fato que Fried é provavelmente a primeira mulher engenheira a aparecer na capa da Wired. O que é, hm, meio absurdo já que é 2011 e a Wired tem sido publicada desde Janeiro de 1993 (18 anos!). O Editor-chefe da Wired, Chris Anderson lamenta nos comentários do post previamente mencionado que não existem “mulheres de alto nível na indústria de tecnologia que são reconhecíveis o suficiente para vender uma capa.” (Nota relacionada: Há um grave déficit de mulheres escrevendo para revistas.)

Eu não estou realmente oferecendo uma solução (não ajudei muito, eu sei!) além de destacar o fato que nós precisamos de mais mulheres nerds e exposição para elas, mas de uma maneira que não seja misógina ou vulgar. Ah, exceto talvez comprar a edição da Wired desse mês, então com alguma sorte Chris Anderson não terá essa desculpa por muito tempo. [GOOD, Xeni Jardin, Obrigado Anna Holmes]