Em 1976, Martin E. Hellman e Whitfield Diffie criaram a criptografia de chave pública – e com isso transformaram o mundo da segurança digital. Agora eles serão homenageados durante o Turing Award 2016, frequentemente considerado o equivalente para a computação do Prêmio Nobel.

criptografia-2O anúncio foi feito durante a RSA Conference, um encontro internacional de especialistas em computação que ocorre em San Francisco, nos EUA, segundo o New York Times.

Hellman e Diffie começaram a trabalhar juntos nos anos 70, e publicaram o artigo científico “Novas Direções em Criptografia” em 1976. É razoável dizer que ele representa o nascimento da criptografia moderna, fornecendo pela primeira vez uma forma das pessoas enviarem informações sigilosas com privacidade através de uma rede aberta.

A criptografia de chave pública exige que cada usuário tenha um par de chaves: uma é tornada publicamente disponível, a outra só é conhecida pelo usuário. A mensagem pode ser criptografada usando a chave disponível publicamente, mas só pode ser descriptografada usando a chave privada.

Cory Doctorow explicou muito bem como a criptografia de chave pública funciona em seu livro Little Brother. Eis um trecho:

“Em vez de apenas criptografar a mensagem com a sua chave privada, você também criptografa com a chave pública do seu chefe. Assim ela foi trancada duas vezes. A primeira trava – a chave pública do chefe – só é liberada quando combinada com a chave privada do seu chefe. A segunda trava – sua chave privada – só é liberada com a sua chave pública. Quando seus chefes recebem a mensagem, eles destravam ela com as duas chaves e agora eles têm certeza de que: a) você escreveu e b) só eles conseguem ler.

É um momento oportuno para a dupla ser premiada. Hellman e Diffie brigaram com a NSA durante o desenvolvimento do protocolo – e agora o FBI está envolvido em uma luta com a Apple sobre criptografia, algo que pode ter um grande impacto na vida de todos nós.

[New York Times]

Imagem de topo por Ondrej Supitar via Unsplash

Imagem do meio: Hellman (esquerda) e Fiddie (direita) em 1977. Por Chuck Painter/Stanford News Service